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Menos consumo significa automaticamente menos demanda por sucata?
Se o consumo de aço caiu 11% em junho, a sucata ferrosa também deveria perder demanda e preço na mesma proporção? A resposta mais segura é não. O número é relevante, mas não funciona como uma ordem automática para o mercado de sucata.
O preço pago no pátio e o ritmo de compra das usinas dependem de uma combinação mais ampla: programação de produção, tipo de forno, composição da carga metálica, estoques, paradas de manutenção, qualidade do lote, custo do frete, oferta regional e estratégia comercial de cada comprador. O indicador nacional ajuda a enxergar a direção geral, mas não substitui a leitura local.
Os dados de junho de 2026 mostram justamente essa complexidade. A produção de aço bruto praticamente não mudou em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os produtos laminados, as vendas internas e o consumo aparente recuaram. Em outras palavras: as usinas produziram volume semelhante de aço bruto, mas o mercado doméstico absorveu menos produtos acabados.
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Junho trouxe um retrato de duas velocidades
Segundo a Estatística Mensal nº 135 do Instituto Aço Brasil, a produção brasileira de aço bruto alcançou 2,837 milhões de toneladas em junho, alta de apenas 0,1% sobre junho de 2025. A estabilidade do aço bruto contrasta com a produção de laminados, que caiu 8%, para 1,832 milhão de toneladas.
O recuo foi mais intenso nos laminados planos, usados em aplicações como chapas e bobinas: a produção caiu 12,8%, para 1,008 milhão de toneladas. Nos laminados longos, categoria que reúne produtos como barras, perfis e vergalhões, a queda foi menor, de 1,2%, para 824 mil toneladas.
Do lado comercial, as vendas internas somaram 1,772 milhão de toneladas, 5% abaixo do ano anterior. O consumo aparente — indicador que combina vendas internas e comércio exterior para estimar o volume absorvido pelo mercado brasileiro — caiu 11%, para 2,156 milhões de toneladas.
No acumulado de janeiro a junho, a produção de aço bruto recuou 1,5%, para 16,259 milhões de toneladas. O consumo aparente caiu 5,3%, para 12,925 milhões. Portanto, a fraqueza não está restrita a um único mês, embora junho tenha ampliado o contraste entre produção e demanda interna.
JUNHO DE 2026 EM NÚMEROS Aço bruto: 2,837 milhões t (+0,1%) | Laminados: 1,832 milhão t (-8,0%) | Vendas internas: 1,772 milhão t (-5,0%) | Consumo aparente: 2,156 milhões t (-11,0%) | Importações totais: 476 mil t (-20,1%) | Exportações totais: 912 mil t (-14,8%). Fonte: Instituto Aço Brasil. |

Planos resistem mais; longos concentram a pressão
Quando os dados são separados por tipo de produto, o quadro fica ainda mais útil para a sucata ferrosa. As vendas internas de laminados planos ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,4%, enquanto as vendas de longos recuaram 12,4%. No consumo aparente, os planos caíram 8,2% e os longos, 15,7%.
A análise publicada pelo Safra em 22 de julho também destacou maior resiliência dos planos e desempenho mais fraco dos longos. Essa diferença importa porque parte relevante das usinas semi-integradas e das aciarias elétricas está associada à produção de aços longos, embora o mercado brasileiro tenha configurações variadas e não seja correto transformar essa relação em regra universal.
Para sucateiros e compradores, o sinal prático é que o comportamento pode divergir por perfil de usina e região. Uma operação mais exposta a longos pode ajustar programação, estoque ou compras de carga metálica de forma diferente de uma produtora de planos. A média nacional, sozinha, não mostra essas decisões.
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O dado mais importante para a sucata não é apenas a produção total
A produção de aço bruto informa quanto aço líquido foi produzido, mas a demanda por sucata depende também da rota utilizada. O próprio Instituto Aço Brasil explica que as aciarias a oxigênio e as aciarias elétricas podem usar sucata; nas usinas semi-integradas, a sucata metálica adquirida de terceiros é uma das principais cargas transformadas em aço.
A World Steel Association reforça essa diferença: o forno elétrico a arco pode operar com carga formada integralmente por aço reciclado, enquanto a rota de alto-forno e conversor a oxigênio também usa sucata, porém em proporção menor.
Em junho, a produção pela aciaria elétrica subiu 1,1%, para 655 mil toneladas, enquanto a produção pelas rotas a oxigênio e EOF caiu 0,2%, para 2,183 milhões de toneladas, segundo o Aço Brasil. Esse dado impede uma conclusão simplista: mesmo com o consumo doméstico mais fraco, a rota mais intensiva em sucata não recuou no comparativo anual daquele mês.
Isso não garante aumento de compras nem sustentação de preços. A usina pode consumir estoque já disponível, alterar a mistura entre sucata, gusa e outros metálicos, antecipar ou adiar manutenção e mudar especificações de carga. Ainda assim, o dado da aciaria elétrica é mais próximo da dinâmica da sucata do que observar apenas o consumo aparente de produtos acabados.

Por que o preço da sucata pode reagir de formas diferentes
O primeiro fator é o estoque. Uma usina pode manter a produção por algum tempo usando material já comprado. Em outro momento, pode reduzir o estoque e voltar ao mercado com maior intensidade, mesmo sem melhora imediata do consumo final.
O segundo é a qualidade do lote. Sucata preparada, separada, com baixa contaminação, densidade adequada e composição mais previsível pode ter demanda diferente de material misto, leve, oxidado ou com alto custo de processamento. Chaparia, cavaco, ferro fundido, sucata pesada e sucata miúda não são produtos equivalentes.
O terceiro é a região. A produção de aço bruto caiu 3,5% em Minas Gerais em junho, mas cresceu 4,1% no Rio de Janeiro e 5,7% em São Paulo. Esses números não representam diretamente compras de sucata em cada estado, porém mostram que a estabilidade nacional esconde movimentos regionais distintos.
O quarto é a logística. Frete, distância, disponibilidade de caminhão, tempo de carga, exigência de documentação e custo de beneficiamento podem mudar o valor líquido do lote. Em mercados com grande distância entre gerador, beneficiador e consumidor, uma referência nacional perde precisão rapidamente.
O quinto é a estratégia de compra. Usinas e fundições podem alterar preços, prazos e especificações para atrair ou conter determinados materiais. Por isso, duas empresas na mesma semana podem transmitir sinais diferentes sem que uma delas esteja necessariamente “errada”.

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Confiança piora e reforça a leitura de cautela
O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) caiu 2,2 pontos em julho, para 45,6 pontos, segundo relatório publicado pelo Instituto Aço Brasil em 17 de julho. Foi a segunda queda consecutiva e o menor nível desde dezembro de 2025.
Como valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, o resultado sugere maior cautela entre os dirigentes do setor. A piora veio principalmente das expectativas para os seis meses seguintes, que recuaram para 45,7 pontos. O indicador não mede diretamente preço de sucata ou volume de compra, mas ajuda a compreender o ambiente em que decisões de estoque, produção e investimento são tomadas.
Exportações exigem uma ressalva importante
As exportações totais de junho somaram 912 mil toneladas, queda de 14,8% em volume, enquanto as importações caíram 20,1%, para 476 mil toneladas. A redução das importações pode aliviar parte da pressão competitiva sobre o aço produzido no país, mas não elimina a fraqueza do consumo doméstico.
O próprio Aço Brasil advertiu que os dados de exportação de junho incluem operações com embarque antecipado, que podem registrar volumes superiores ao efetivamente exportado. A entidade informou que correções poderão aparecer nas próximas divulgações do comércio exterior. Por isso, qualquer conclusão baseada nas exportações deve permanecer provisória.
O que acompanhar nas próximas semanas
O primeiro sinal será a produção por processo. Se a aciaria elétrica mantiver ritmo superior ao ano anterior, a demanda por carga metálica pode continuar mais firme em determinadas plantas, mesmo com o consumo aparente pressionado.
O segundo será o comportamento dos laminados longos. Uma recuperação de vendas e consumo nessa categoria poderia melhorar o ambiente para usinas ligadas à construção e a outros mercados consumidores de longos. Uma nova queda ampliaria o sinal de cautela.
Também será necessário observar revisões das exportações, penetração de importados, paradas de manutenção, estoques e movimentos regionais de compra. Nenhum desses elementos, isoladamente, forma o preço final da sucata; juntos, eles ajudam a explicar por que o mercado muda de forma desigual.
Como transformar os dados em decisão prática
Para quem vende, o melhor uso desses indicadores não é tentar prever uma alta ou queda automática. É preparar o lote, registrar peso e qualidade, comparar compradores, calcular o frete e confirmar a condição comercial válida para a sua região.
Para quem compra, o dado industrial deve entrar junto com necessidade real de carga, estoque, capacidade de processamento, especificação do forno e custo logístico. Um número nacional pode justificar uma pergunta, mas não substitui a conferência operacional.
A leitura mais responsável de junho é esta: a produção brasileira de aço resistiu, mas o mercado doméstico perdeu força. Para a sucata ferrosa, isso sinaliza seletividade, diferenças entre regiões e maior importância dos fundamentos locais — não uma queda automática e uniforme de preço.
CONSULTE COM CRITÉRIO A Tabela de Preços Sucatas.com pode ser usada como referência de comparação. Os valores variam por região, qualidade, volume, logística, prazo de pagamento e momento do mercado. O Sucatas.com não compra, não vende, não intermedeia negociações e não garante preço ou resultado comercial. |
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O QUE ISSO MUDA NA PRÁTICA PARA O SETOR?
PÚBLICO - APLICAÇÃO PRÁTICA
Vendedores e geradores
Evitar reduzir ou elevar expectativa de preço apenas com base no consumo nacional. Separar o material, documentar qualidade, calcular frete e consultar mais de um comprador.
Compradores e sucateiros
Revisar estoque, giro, especificações e programação dos clientes. A pressão pode ser maior em materiais ligados a operações expostas a longos ou a regiões com menor atividade.
Siderúrgicas e fundições
A leitura deve combinar processo produtivo, mix de carga metálica, estoque, manutenção, carteira de pedidos e custo de energia/logística.
Beneficiadores
Qualidade e densidade ganham importância em ambiente seletivo. Corte, prensagem, limpeza e segregação podem reduzir custo industrial e melhorar a competitividade do lote.
Transportadores
Frete pode decidir a viabilidade de uma negociação. Distância, tempo de espera, equipamento e retorno de carga devem entrar no preço líquido.
Usuários da Tabela de Preços Sucatas.com
Usar valores como referência, nunca como preço oficial ou promessa. Confirmar condições locais antes de negociar.
Usuários do Guia Sucatas.com e dos Classificados Sucatas.com
Pesquisar compradores, fundições, siderúrgicas, beneficiadores e transportadores por segmento e localização; publicar oportunidades com descrição objetiva e sem promessa de fechamento.
FONTES CITADAS NESTA MATÉRIA
Instituto Aço Brasil — Estatística Mensal nº 135 (dados de junho de 2026)
Tipo: Fonte primária; relatório estatístico setorial | Publicação: Julho de 2026 | Acesso: 30/07/2026
Sustenta: Produção de aço bruto e laminados; vendas internas; consumo aparente; importações; exportações; produção por processo; dados regionais; ressalvas de revisão.
Link: https://www.acobrasil.org.br/site/wp-content/uploads/2026/07/AcoBrasil_EM_Junho_2026-1.pdf
Instituto Aço Brasil — Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA)
Tipo: Fonte primária; indicador de confiança | Publicação: 17/07/2026 | Acesso: 30/07/2026
Sustenta: ICIA de 45,6 pontos; segunda queda seguida; menor nível desde dezembro de 2025; recuo das expectativas.
Link: https://www.acobrasil.org.br/site/wp-content/uploads/2026/07/07_ICIA-julho-de-2026-v2.pdf
Instituto Aço Brasil — Processo produtivo
Tipo: Fonte primária institucional; explicação técnica | Publicação: Página institucional sem data destacada | Acesso: 30/07/2026
Sustenta: Diferença entre usinas integradas e semi-integradas; uso de sucata em aciarias a oxigênio e elétricas.
Link: https://www.acobrasil.org.br/site/processo-siderurgico/
World Steel Association — What is steel?
Tipo: Fonte primária internacional do setor; explicação técnica | Publicação: Página institucional atualizada continuamente | Acesso: 30/07/2026
Sustenta: Todas as rotas podem usar sucata; forno elétrico a arco pode operar com carga integral de aço reciclado; rota BF-BOF usa menor proporção.
Link: https://worldsteel.org/about-steel/what-is-steel/
O Especialista / Banco Safra — “Mercado de aço mostra melhora em produtos planos, mas demanda segue fraca”
Tipo: Fonte secundária especializada; análise de mercado | Publicação: 22/07/2026 | Acesso: 30/07/2026
Sustenta: Interpretação de maior resiliência dos planos, fraqueza dos longos e limitação de reajustes em ambiente de consumo doméstico fraco.
Link: https://oespecialista.safra.com.br/analise/aco-brasil-junho-2026/
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