Duas peças de plástico podem apresentar cor, aparência e textura muito parecidas, mas pertencer a polímeros diferentes. Quando são misturadas no mesmo lote, essas diferenças podem causar perda de qualidade, retrabalho e dificuldade de comercialização.
Na cidade de São Paulo, a Cooper Viva Bem passou a contar com um espectrômetro portátil que utiliza luz no infravermelho próximo para ajudar na identificação desses materiais. Segundo informações publicadas pela BASF, o aparelho foi entregue à cooperativa em 2023, dentro da iniciativa “Cooperativas Mais Tecnológicas”.
A ferramenta pode apoiar a tomada de decisão durante a triagem e o controle de qualidade. Ela não representa, entretanto, uma linha automática capaz de separar sozinha todo o material que passa por uma esteira.
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Um aparelho portátil para analisar o plástico
O equipamento utilizado é o trinamiX PAL One, um espectrômetro móvel desenvolvido pela trinamiX, subsidiária da BASF especializada em soluções de análise de materiais.
O aparelho é ligeiramente maior que um telefone celular. O operador aproxima o sensor da amostra, realiza a medição e recebe no aplicativo uma indicação sobre o tipo provável de polímero.
Segundo a BASF, a Cooper Viva Bem reunia mais de 70 cooperados e processava, na época da publicação institucional, aproximadamente 400 toneladas mensais de materiais diversos. Esse volume incluía papel, papelão, vidro, plásticos e embalagens, não somente os materiais analisados pelo sensor.
A empresa também informou que a iniciativa havia atendido três organizações na América do Sul: a Cooper Viva Bem, no Brasil; a Recuperadores Urbanos de Oeste, na Argentina; e a Cooperativa Reciclaje Bogotá, na Colômbia.

Como o sensor NIR identifica o material
NIR é a sigla em inglês para infravermelho próximo. A tecnologia analisa como a superfície do material absorve e reflete determinadas faixas de luz que não são percebidas pelo olho humano.
Cada polímero apresenta uma resposta óptica característica. O equipamento registra essa resposta e utiliza modelos matemáticos para compará-la com materiais conhecidos.
O processo pode ser resumido em seis etapas:
o operador escolhe a peça ou amostra;
o sensor é colocado diretamente sobre o material;
o aparelho emite luz no infravermelho próximo;
a superfície reflete parte dessa luz;
o sistema compara o espectro com seus modelos;
o aplicativo apresenta o tipo provável de plástico.
De acordo com a trinamiX, a solução pode ser utilizada em verificações pontuais de recebimento, inspeções depois do processamento e controles antes da expedição. Os resultados também podem ser registrados e analisados no sistema associado ao aparelho.
O objetivo, portanto, não é somente responder “que plástico é este?”. A leitura pode apoiar decisões sobre separação, estoque, formação de lotes e encaminhamento ao comprador adequado.

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Quais plásticos podem ser reconhecidos
A BASF informa que a aplicação disponibilizada às cooperativas consegue diferenciar mais de 30 tipos ou categorias de plásticos.
A documentação técnica da trinamiX apresenta, entre os materiais abrangidos por suas aplicações:
PEAD;
PEBD;
PP;
PET;
PS;
PVC;
ABS;
policarbonato;
poliamidas;
PLA.
Essa capacidade pode ser útil quando o símbolo de identificação está ausente, apagado, pouco legível ou não representa com clareza todos os materiais presentes no objeto.
Uma peça de ABS, por exemplo, pode ser confundida visualmente com outros plásticos rígidos. Situações semelhantes podem ocorrer com PP, PEAD, policarbonato e poliamidas.
A leitura instrumental reduz parte dessa incerteza. O resultado, porém, deve ser interpretado dentro das condições e dos materiais reconhecidos pela aplicação utilizada.
Equipamento portátil não é uma linha automática
Um espectrômetro portátil não deve ser confundido com um separador óptico industrial instalado em uma esteira.
Em uma linha automatizada, sensores analisam continuamente objetos que passam sobre a correia. A máquina pode estar integrada a sistemas de ejeção, jatos de ar ou divisores mecânicos que encaminham os materiais para saídas diferentes.
No caso do aparelho portátil, a lógica é outra. Uma pessoa seleciona a amostra, realiza a leitura e utiliza a informação para apoiar a classificação.
Isso significa que o equipamento não substitui:
a experiência dos cooperados;
a avaliação das condições do material;
o controle visual da triagem;
a definição da amostragem;
a separação física;
a organização do estoque;
o contato com compradores.
A ferramenta funciona como apoio ao trabalhador, e não como substituição completa do processo.
Também é importante esclarecer a origem do equipamento. A trinamiX está sediada em Ludwigshafen, na Alemanha, e informa em sua documentação técnica que sua produção é realizada naquele país.

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O que a cooperativa relata sobre o uso
Em depoimento publicado pela BASF, a presidente da Cooper Viva Bem, Tereza Montenegro, relatou que o aparelho ajudou a equipe a reconhecer plásticos que antes não eram identificados com segurança.
Ela também associou a ferramenta a mais confiança sobre a classificação do material oferecido aos parceiros e compradores.
Os relatos indicam uma aplicação prática da tecnologia. Ainda não foram publicados, porém, indicadores independentes que permitam medir:
produtividade antes e depois da implantação;
quantidade de medições realizadas;
redução percentual de rejeitos;
volume de novos materiais comercializados;
mudança no preço por quilo;
crescimento da receita dos cooperados;
pureza média dos fardos;
retorno financeiro do equipamento.
Por essa razão, não é correto afirmar que o sensor aumentou automaticamente a produtividade, o preço ou a renda da cooperativa.
Identificar o plástico pode melhorar a venda?
Separar corretamente os polímeros pode melhorar as condições de comercialização quando existe procura por um material específico.
Um reciclador que compra PP, por exemplo, precisa reduzir a presença de materiais incompatíveis. O mesmo vale para compradores de ABS, PEAD, policarbonato e outras resinas.
Um lote mais homogêneo pode diminuir:
reclassificação;
retrabalho;
perdas na moagem;
problemas na extrusão;
incompatibilidade entre polímeros;
devoluções por falta de conformidade.
Isso não significa que a identificação garanta um preço maior.
O valor comercial também depende de volume, cor, limpeza, umidade, forma do material, frequência de fornecimento, custo de transporte, necessidade de lavagem ou moagem e demanda existente na região.
Um sensor pode reduzir a dúvida sobre a identidade de uma amostra. Ele não transforma sozinho um lote contaminado, sujo, irregular ou de baixo volume em matéria-prima de alto valor.
Limitações precisam entrar na avaliação
A espectroscopia NIR possui limitações que precisam ser conhecidas antes da adoção.
Segundo a área de suporte da trinamiX, plásticos tingidos com negro de fumo normalmente não podem ser identificados pela aplicação convencional. O pigmento absorve a luz no infravermelho próximo e impede a obtenção adequada das informações da amostra.
A fabricante também informa que misturas não contempladas pela aplicação podem gerar resultados imprecisos. Materiais multicamadas, revestidos ou formados por mais de um polímero exigem cuidado adicional.
Outra limitação importante é o alcance da informação. A aplicação comum identifica o tipo de polímero, mas não informa automaticamente todos os aditivos, cargas minerais, fibras ou outras substâncias incorporadas à peça.
A qualidade da medição também depende de condições básicas:
contato direto entre o sensor e a amostra;
superfície adequada;
janela de leitura limpa;
calibração correta;
material dentro da lista reconhecida;
procedimento de amostragem coerente.
Uma única leitura não deve ser tratada como certificação integral de um fardo. Para avaliar uma carga, é necessário testar diferentes peças e pontos do lote.
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Identificação não é o mesmo que rastreabilidade
Identificar o polímero e comprovar a origem do material são tarefas diferentes.
O sensor pode indicar que uma peça é PP, ABS ou policarbonato. Ele não comprova sozinho:
de onde veio o resíduo;
quem realizou a coleta;
se há documentação fiscal;
qual caminho o material percorreu;
se todo o fardo possui a mesma composição;
qual será sua destinação final.
A rastreabilidade depende de notas fiscais, registros operacionais, identificação dos lotes, auditoria e sistemas capazes de acompanhar a cadeia.
Um exemplo é o Recircula Brasil, plataforma da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial desenvolvida em parceria com a ABIPLAST. Segundo a ABDI, a ferramenta cruza dados de documentos fiscais desde a cooperativa até a indústria para comprovar origem e destino.
Em dezembro de 2025, a Agência informou que a plataforma havia certificado 50 mil toneladas de plástico reciclado em aproximadamente um ano e meio de operação.
As duas tecnologias podem ser complementares: o sensor ajuda a identificar o material; o sistema de rastreabilidade ajuda a documentar sua circulação.
Pressão por qualidade e documentação deve crescer
O índice geral de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil chegou a 21% no ano-base 2024, segundo levantamento encomendado pelo Movimento Plástico Transforma e divulgado pela ABIPLAST.
Para embalagens plásticas pós-consumo, o índice foi de 24,4%. O mesmo estudo apontou produção de aproximadamente 1,012 milhão de toneladas de resina reciclada pós-consumo em 2024, crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior.
Esses dados mostram recuperação do setor, mas também indicam que ainda existe espaço para melhorar coleta, triagem, aproveitamento e fornecimento de materiais.
O Decreto nº 12.688, publicado em 21 de outubro de 2025, instituiu o sistema nacional de logística reversa de embalagens plásticas.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a meta nacional é recuperar e reciclar 32% das embalagens plásticas em 2026 e avançar até 50% em 2040.
A regulamentação também prioriza a participação de cooperativas, associações e outras organizações de catadoras e catadores.
Em 2026, o Ministério manteve consultas e discussões complementares sobre reciclabilidade das embalagens e manejo dos rejeitos após a triagem. Esse movimento regulatório aumenta a importância de qualidade, documentação e destinação correta.

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O que muda na prática para o setor
Para compradores
Podem receber informações adicionais sobre o material e solicitar verificações por amostragem. O resultado do aparelho não elimina inspeções, especificações contratuais ou testes de recebimento.
Para vendedores
Cooperativas e aparistas podem identificar materiais que antes eram incluídos em lotes genéricos de plástico misto. A formação de um lote separado só fará sentido quando houver volume e comprador para aquela categoria.
Para recicladores
O sensor pode apoiar inspeções de entrada, controles após a moagem e verificações antes da expedição. Ele funciona como uma camada complementar de controle de qualidade.
Para cooperativas e catadores
A ferramenta ajuda em situações nas quais a aparência ou a marcação não permitem uma classificação segura. O conhecimento dos trabalhadores continua essencial para decidir o que testar, interpretar o resultado e organizar o material.
Para transportadores
O impacto direto é limitado. Lotes mais bem separados, identificados e armazenados podem, entretanto, facilitar carregamento, documentação e destinação.
Para indústrias
A tecnologia pode contribuir para fornecedores mais preparados para classificar materiais. A leitura portátil não substitui ensaios laboratoriais nem controles completos de processo.
Para prestadores de serviço
A adoção dessas ferramentas pode ampliar a demanda por treinamento, calibração, manutenção, automação, integração de dados, controle de qualidade e rastreabilidade.
Para anunciantes do setor
Fabricantes, distribuidores, laboratórios e consultorias podem encontrar um novo espaço de divulgação. As ofertas precisam apresentar capacidade, custo total, limitações e suporte com transparência.
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O que avaliar antes de adotar a tecnologia
Antes de comprar, contratar ou aceitar um sensor em projeto piloto, a operação deve responder:
Quais polímeros aparecem com frequência no material recebido?
A aplicação reconhece exatamente esses polímeros?
Como o sistema lida com plástico preto?
É possível analisar misturas e multicamadas?
Quantas amostras precisam ser testadas por lote?
Os resultados ficam registrados?
Existe licença, assinatura ou custo recorrente?
Há assistência técnica disponível no Brasil?
Quem será treinado para operar o equipamento?
Existem compradores para os materiais que serão separados?
Qual indicador será medido antes e depois do projeto?
O investimento faz sentido diante do volume movimentado?
O caso da Cooper Viva Bem mostra que tecnologias antes mais próximas de laboratórios e grandes instalações podem chegar à rotina de uma cooperativa.
Para produzir resultado econômico real, entretanto, o sensor precisa estar integrado a treinamento, procedimento de amostragem, estoque separado, documentação e estratégia comercial.
Sem esses elementos, a identificação pode ficar restrita a peças isoladas. Com processo e mercado organizados, ela pode se transformar em apoio para reduzir incertezas e melhorar decisões.
Próximo passo útil
Identificou um tipo específico de plástico e precisa encontrar destinação?
Consulte o Guia Sucatas.com para procurar compradores, recicladores, fornecedores de equipamentos e serviços relacionados ao material na sua região.
A Tabela de Preços Sucatas.com pode ser utilizada como referência, considerando que os valores variam conforme qualidade, volume, localização, logística e condições de negociação.
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FONTES CITADAS NESTA MATÉRIA
Fontes primárias e institucionais
BASF — “A solução está na palma da mão”, sobre o programa Cooperativas Mais Tecnológicas e a Cooper Viva Bem.
trinamiX — página técnica “Plastic Identification”.
trinamiX — suporte e orientações para medição e identificação de plásticos.
trinamiX — documentação técnica da solução móvel de espectroscopia NIR.
Presidência da República — Decreto nº 12.688, de 21 de outubro de 2025.
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima — informações sobre o sistema de logística reversa de embalagens plásticas.
ABDI — informações sobre o Recircula Brasil e as 50 mil toneladas de plástico certificadas.
Fontes de contexto setorial
ABIPLAST — Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-Consumo no Brasil, ano-base 2024.
Movimento Plástico Transforma / PICPlast — estudo setorial realizado pela MaxiQuim.
SINIR e Ministério do Meio Ambiente — consultas e orientações complementares do sistema de logística reversa em 2026.
Verificação factual da matéria
Os dados sobre entrega do aparelho, quantidade de cooperados, volume mensal e organizações atendidas procedem da publicação institucional da BASF. Como a mesma fonte apresenta avaliações positivas sobre rentabilidade, qualidade e aproveitamento, a matéria atribui esses benefícios à empresa e não os trata como resultados independentes.
O funcionamento descrito — medição pontual, comparação espectral, exibição no aplicativo, documentação de fluxos e uso em inspeções — está sustentado pela documentação técnica da trinamiX. A mesma documentação informa produção na Alemanha, capacidade de até seis mil medições e conexão com aplicativo e portal.
As limitações sobre plásticos pretos, misturas não contempladas, contato direto com a amostra e ausência de informações automáticas sobre cargas e aditivos são indicadas pela própria fabricante.
Os índices de 21%, 24,4%, 1,012 milhão de toneladas e crescimento de 7,8% referem-se ao ano-base 2024 e ao levantamento encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, divulgado pela ABIPLAST.
As metas de 32% para 2026 e 50% para 2040, bem como a prioridade dada às organizações de catadores, estão associadas ao Decreto nº 12.688/2025 e à comunicação do MMA.
A distinção entre identificação e rastreabilidade se apoia nas informações da ABDI sobre o Recircula Brasil, que cruza documentos fiscais e havia certificado 50 mil toneladas de plástico reciclado até dezembro de 2025.
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