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A
trituração dos pneus para uso na regeneração da borracha, mediante a
adição de óleos aromáticos e produtos químicos desvulcanizantes é um
dos principais mercados para a reciclagem desse material. Com a pasta
resultante deste processo, as indústrias produzem tapetes de automóveis,
solado de sapato, pisos industriais e borrachas de vedação, entre
outros. No Brasil já há tecnologia em escala industrial que regenera
borracha por processo a frio, obtendo um produto reciclado com
elasticidade e resistência semelhantes ao do material virgem. Além
disso, essa técnica usa solventes capazes de separar o tecido e o aço
dos pneus, permitindo seu reaproveitamento.
O pó gerado na recauchutagem e os restos de pneus moídos podem ser
aplicados na composição de asfalto de maior elasticidade e durabilidade,
além de atuarem como elemento aerador de solos compactados e pilhas de
composto orgânico.
Os pneus inteiros são reutilizados em pára-choque, drenagem de gases em
aterros sanitários ,contenção de encostas,produtos artesanais. No
Brasil, as carcaças são reaproveitadas como estrutura de recifes
artificiais no mar, visando o aumento da produção pesqueira. É possível
recuperar energia com a queima de pneus velhos em fornos controlados -
cada pneu contém a energia de 9,4 litros de petróleo. No Brasil,
calcula-se que existam 500 mil pneus disponíveis para utilização como
combustível, proporcionando economia de 12 mil toneladas de óleo. A
usina da Petrobrás de São Mateus no Paraná incorpora no processo de
extração de xisto betuminoso pneus moídos que garantem menor
viscosidade ao mineral e uma otimização do processo.
Quanto é
reciclado?
10%
das 300 mil toneladas de sucata disponíveis no Brasil para obtenção de
borracha regenerada são de fato recicladas, segundo dados da empresa
Relastomer.
Não
há dados no Brasil sobre taxa referentes às demais formas de reciclagem
de pneus. Sabe-se, porém que os chamados "carcaceiros"
recuperam mais de 21 milhões de pneus por ano, sob as diversas formas. Os
EUA, que geram 275 milhões de pneus velhos por ano, têm em estoque cerca
de 3 bilhões de carcaças.
VALOR
Pneus
com meia vida ou carcaças passíveis de recauchutagem têm valor
positivo. Pneus não passíveis de recuperação têm valor negativo: os
geradores da sucata normalmente pagam às empresas de limpeza urbana para
o recebimento do material.
Conhecendo o
material
O Brasil produz cerca
de 35 milhões de pneus por ano. Quase um terço disso é exportado para
85 países e o restante roda nos veículos nacionais. Apesar do alto índice
de recauchutagem no País, que prolonga a vida dos pneus em 40%, a maior
parte deles, já desgastada pelo uso, acaba parando nos lixões, na beira
de rios e estradas, e até no quintal das casas, onde acumulam água que
atrai insetos transmissores de doenças. Os pneus e câmaras de ar
consomem cerca de 57% da produção nacional de borracha e sua reciclagem
é capaz de devolver ao processo produtivo um insumo regenerado por menos
da metade do custo da borracha natural ou sintética. Além disso,
economiza energia e poupa petróleo usado como matéria-prima virgem e até
melhora as propriedades de materiais feitos com borracha.
Qual o seu peso no
lixo?
No
Rio de Janeiro, os pneus e artefatos de borracha em geral correspondem a
0,5% do lixo urbano e em São Paulo correspondem menos de 3%. Nos EUA, os
pneus compõem 1% dos resíduos.
Sua
história
Depois
que o norte-americano Charles Goodyear descobriu, no século XIX, o
processo de vulcanização, deixando cair borracha e enxofre casualmente
no fogão, a demanda por esse produto se multiplicou no mundo. Mais tarde,
a Alemanha começou a industrializar borracha sintética a partir do petróleo.
A recuperação de energia e a recauchutagem foram as primeiras formas de
reciclagem de pneus. Com o avanço tecnológico, surgiram novas aplicações,
como a mistura com asfalto, em concentração de 15% a 25%, apontada hoje
nos EUA como uma das melhores soluções para o fim dos cemitérios de
pneus.
E
as limitações ?
POLUIÇÃO
A
queima de pneus para aquecer caldeiras é regulamentada por lei. Ela
determina que a fumaça emanada se enquadre no padrão I da escala de
Reingelmann para a totalidade de fumaças. Os principais usuários de
pneus em caldeiras são as indústrias de papel e celulose e as fábricas
de cal e cimento, que usam a carcaça inteira e aproveitam alguns óxidos
contidos nos metais dos pneus radiais. A queima a céu aberto, que gera
fumaça negra de forte odor (dióxido de enxofre) é proibida em vários
países, inclusive no Brasil.
É
importante saber...
REDUÇÃO
DA FONTE DE GERAÇÃO
Nos
últimos 40 anos, a melhoria das técnicas de manufatura aumentou muito em
média a vida útil dos pneus. A recauchutagem, que no Brasil atinge 70%
da frota de transporte de carga e passageiros, é outro importante meio
para se reduzir esses resíduos.
COMPOSTAGEM
A
sucata de pneu não pode ser transformada em adubo. Mas a borracha cortada
em pedaços de 5cm pode ajudar na aeração do composto orgânico. Essas
partículas devem ser retiradas do adubo antes da comercialização.
INCINERAÇÃO
O
pneu é altamente combustível, com poder calorífico de 12 mil a 16 mil
BTUs por quilo, superior ao carvão.
ATERRO
Dispostas
em lixões, aterros, ou outros locais abertos, as carcaças atraem
roedores e mosquitos transmissores de doenças. Às vezes, devido a
problemas de compactação, pequenos pedaços de pneus aterrados podem
voltar à superfície. Algumas cidades proíbem a colocação de carcaças
inteiras em aterros.
O
ciclo da reciclagem
VOLTANDO
ÀS ORIGENS
Cortados
em lascas, os pneus velhos são transformados em pó de borracha,
purificado por um sistema de peneiras. O pó é moído até atingir a
granulação desejada e, em seguida, passa por tratamento químico para
possibilitar a desvulcanização da borracha. Em autoclaves giratórios, o
material recebe o oxigênio, calor e forte pressão, que provocam o
rompimento de sua cadeia molecular. Assim, a borracha é passível de
novas formulações. Ela sofre um refino mecânico, ganhando viscosidade,
para depois ser prensada. No final do processo, o material ganha a forma
de fardos de borracha regenerada. Eles são misturados com outros
ingredientes químicos para formar uma massa, de borracha que é moldada
ao passar por uma calandra e um gabarito. Numa bateria de prensas, a
borracha é vulcanizada, formando os produtos finais, como tapetes de
carro e solas de sapato.
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