Indústria terá embalagem
reciclada
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Já está sendo
testado o primeiro equipamento desenvolvido no País para
fabricar embalagens recicladas de defensivos agrícolas. Com
investimentos de R$ 2 milhões só na compra da máquina e seus
acessórios, o Instituto Nacional de Processamento de
Embalagens Vazias (Inpev) - entidade sem fins lucrativos
formada por 76 empresas fabricantes de defensivos e por 6
entidades do setor agrícola - pretende transformar novamente
em embalagens o plástico originado de recipientes usados.
Em cumprimento a normas técnicas, a embalagem terá 60% de
polietileno reciclado e 40% de polietileno virgem. “A máquina
foi feita por encomenda por uma empresa de origem alemã, a
Bekum”, diz o diretor-presidente do Inpev, João Cesar Rando.
“Ela fabricará uma embalagem com três camadas: uma interna,
com 20% de polietileno virgem, que estará em contato direto
com o produto químico; uma sobre esta com 60% do polietileno
reciclado e uma terceira, externa, com os 20% restantes do
polietileno virgem”.
Números
A pleno vapor, a máquina deverá processar 3.600 toneladas de
polietileno - tanto virgem quanto reciclado -, que resultarão
em 3,5 milhões unidades de embalagens por ano.
“Até o fim de abril o equipamento estará em funcionamento na
nossa fábrica, a Campo Limpo Reciclagem e Transformação de
Plásticos S.A., instalada em Taubaté (SP)”, diz Rando,
acrescentando: “A fabricação de embalagens de defensivos foi
uma maneira de manter na própria indústria de agroquímicos a
embalagem que ela mesma usa, fechando o ciclo dentro da
própria cadeia, por meio da reciclagem”.
Desde 2002, quando o Inpev passou a funcionar, foram
recolhidas, em todo o País, por meio de 375 unidades
recebedoras, 107 mil toneladas de embalagens vazias de
defensivos. Dos 100% das embalagens colocadas no mercado pela
indústria, conforme explica Rando, 70% são embalagens
primárias (o próprio recipiente plástico ou metálico onde vai
o defensivo) e 30% de embalagens secundárias (as caixas de
papelão que acondicionam os recipientes com o defensivo).
Num programa de sucesso equivalente à reciclagem de latas de
alumínio, Rando diz que a taxa de retorno e reciclagem do
total de embalagens é alto: por volta de 80%, entre embalagens
primárias e secundárias. “E, entre as embalagens plásticas,
que formam o maior volume, praticamente 100% já são recolhidas
e 95% disso reciclado”, explica Rando.
“Este número só não é total porque parte das embalagens
plásticas chega aos postos de recebimento do Inpev sem ter
sido lavada ainda na propriedade rural e por isso não pode ser
reciclada. “De tudo o que recolhemos, porém, apenas 7,5% a 8%
são incinerados”.
Em relação às embalagens de papelão, o Inpev pretende, no ano
que vem, reforçar a campanha entre os produtores rurais para
que elas também sejam devolvidas.
Fonte: Tânia Rabello (O Estado de S.Paulo)
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