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Você precisa de um computador novo? |
Especialistas em
meio ambiente alertam consumidores e empresas para a aquisição
e descarte conscientes de equipamentos eletrônicos
O
País atingirá o número de 60 milhões de máquinas entre 2009 e
2010, praticamente uma máquina para três habitantes.
Esse número revela que mais pessoas têm acesso à tecnologia
digital, mas a jornalista, especializada em Meio Ambiente,
Patrícia Magrini, alerta para as atualizações dos
equipamentos. "Cada dia aparece um mais moderno. Quanto aos
computadores, eles se tornam obsoletos muito rapidamente. Acho
que as pessoas precisam avaliar a necessidade da troca. Muitas
vezes, as máquinas são descartadas e substituídas, mas as
pessoas utilizam os mesmos recursos do anterior. Por isso,
acho que cabe a política dos quatro Rs: Repensar, Reduzir,
Reutilizar, Reciclar."
Para a jornalista, repensar é fundamental. "Quando paramos e
não agimos por impulso ou, por influência de uma propaganda,
percebemos que, de fato, não precisaríamos daquilo, a sensação
é muito boa. Mas quando há a real necessidade de troca, a
saída é buscar uma destinação adequada para o aparelho usado e
em bom estado. Pode-se vender ou doar a pessoas ou
instituições". O outro caminho é o não-uso ou o desperdício: o
lixo. Na opinião de Patrícia, a reciclagem é uma saída para
aqueles que não estão em bom estado. Ela indicou iniciativas
que utilizam peças de equipamentos velhos para construir
novos, como o trabalho da
Meta Reciclagem.
Ainda destacou as empresas, como produtoras, precisam se
responsabilizar por esse montante de lixo tecnológico.
Segundo a
Universidade das Nações Unidas
(UNU) , um computador comum (24 quilos, em média) emprega ao
menos dez vezes o seu peso em combustíveis fósseis,
contribuindo para o aquecimento global, e 1.500 litros de água
em seu processo de fabricação. Esta relação supera, por
exemplo, a dos automóveis, que utilizam, no máximo, duas vezes
o seu peso em matéria-prima e insumos. Um único chip de
memória RAM consome 1,7 quilos de combustíveis fósseis e
substâncias químicas para ser produzido, o que corresponde a
cerca de 400 vezes o seu peso.
Apesar de cada empresa tratar o assunto de uma maneira
diferente, segundo o administrador do site
Setor Reciclagem,
Ricardo Ricchini, a percepção é que a reciclagem de resíduos
tecnológicos ainda é incipiente. Para ele, o problema é a
falta de uma política de resíduos sólidos no Brasil.
Ricchini chama a atenção para a urgência na política dos Rs,
além da questão do consumo e de seu custo/ benefício. Ele
lembra como a mídia diz todos os dias que o brasileiro é
apaixonado por carro e que hoje há um caos no trânsito. "Nosso
sonho de consumo deveria ser um transporte público de
qualidade e não gastar dinheiro para ficar preso no trânsito.
Com a informática o princípio é o mesmo, ninguém precisa de
tanta atualização. Existem alternativas ao sistema operacional
padrão, que não usam tanta memória ou hardware".
Claudio Bedran, do
Instituto de Educação e Pesquisa
Ambiental Planeta Verde
ressalta ainda o descumprimento da
Lei 6938/81,
de Política Nacional de Meio Ambiente. "Essa lei prevê a
responsabilidade das empresas quanto aos materiais que possam
ter menor impacto ambiental e de forma reciclável". Para ele,
um passo importante seria se a população não cedesse tão
facilmente aos apelos da publicidade. Além disso, Cláudio
sugere as pessoas avaliarem a necessidade da aquisição dos
aparelhos, adaptando o micro as novas técnicas ou repassar
para pessoas de baixa renda.
A advogada
ambiental Anna Maria Brasil afirma que as pessoas não
orientadas corretamente e, por isso, eliminam o computador
antigo sem nenhum cuidado. Para ela, a saída é o
reprocessamento e a reciclagem.
Anna Maria atua como gerente comercial e marketing da Suzaquim
Indústrias Químicas Ltda., empresa que faz reprocessamento de
pilhas, baterias e resíduos tecnológicos. "Falta educação
ambiental, as pessoas precisam saber o valor agregado a
qualquer equipamento, mesmo que obsoleto, pois a matéria-prima
com que foi produzido, pode em última instância ser
transformada novamente em matéria-prima, ou em subprodutos.
Não importa o estado."
Em São Paulo, o
Museu do Computador
é outra alternativa. José Carlos Valli, presidente e curador
do museu, explica que o espaço é uma associação cultural,
idealizada e formada pelo trabalho de profissionais das mais
variadas áreas da informática, com o principal objetivo de
recuperar, conservar e expor aos seus visitantes, computadores
e artefatos que contam a história e a evolução da informática
e da tecnologia digital no mundo, principalmente no Brasil.
Segundo José Carlos, o museu já tem um acervo com mais de
5.000 peças de todas as épocas da história da computação e da
informática e está aberto à visitação pública. "Para a
comunidade é importante a preservação da história dos
computadores. Isso é cultura, mas também é um trabalho social,
já que, quando o aparelho ainda funciona, encaminhamos para
entidades da região. Mas, quando não tem recuperação, o
material é transformado em obra de arte. Um monitor vira um
vaso, por exemplo."
Guia de Eletrônicos Verdes
O Greenpeace atualizou, no fim de junho, o ranking
do
Guia de Eletrônicos Verdes,
que lista as empresas de computadores e de celulares mais e
menos poluentes: aquelas que geram lixo eletrônico prejudicial
ao meio ambiente e à saúde. Criado em agosto de 2006, o Guia
estimula a produção de eletrônicos que podem ser reciclados
com segurança e avalia companhias pelo uso de elementos
químicos e pela reciclagem de eletrônicos. Essa campanha ainda
não chegou ao Brasil, mas muitos produtos são adquiridos
pelos consumidores brasileiros, por isso a importância da
divulgação aqui.
O último ranking
do Guia do Greenpeace mostra que nove das 14 companhias
avaliadas - Nokia, Dell, Lenovo, Sony Ericsson, Motorola,
Samsung, Toshiba, Fujitsu-Siemens, Acer, Apple, Hewlett
Packard, Panasonic, LG e Sony - pontuaram entre cinco e sete
na escala que vai até dez. A Nokia conquistou a liderança,
enquanto Dell e Lenovo em segundo lugar, seguidas por
Sony-Ericsson e Samsung. Apple fez o maior salto, saindo do
último para o 10º lugar, enquanto a Sony permanece na posição
de pior empresa no quesito preocupação ambiental. A LG também
está entre as piores em políticas de resíduos. Mas, a Apple
melhorou o seu comportamento e saiu das piores posições do
ranking da indústria eletrônica.
Para o Greenpeace,
cada vez mais empresas procuram informações sobre os produtos
que são livres das piores substâncias químicas. Por exemplo,
em março de 2007, a Panasonic tinha várias amostras de
produtos 100% livres de PVC no mercado, como DVD players e
gravadores, home theater, vídeo cassete. Agora dispôs uma
lista de produtos que são livres de PVC. Enquanto isso, Nokia,
Sony Ericsson e algumas linhas da Motorola estão introduzindo
modelos que também são livres de PVC e de retardantes de
chamas bromados.
Critérios do ranking
Para melhorar a sua posição na lista, as companhias não devem
deixar resíduos de sua produção de eletrônicos e eliminar
todas as substâncias perigosas. Além disso, precisam
reaproveitar e reciclar seus produtos, que se tornarem
obsoletos, de forma responsável.
É importante que as companhias tenham uma política que
incentive os consumidores a devolverem voluntariamente seus
equipamentos obsoletos. Assim, os programas de reciclagem
evitariam o desperdício de material. A contagem dos pontos é
baseada unicamente na informação pública no site das
companhias, que devem expor suas políticas.
Um passo importante, para a ONG, foi a implementação de
Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (Waste
Electrical and Electronic Equipment, em inglês, WEEE), da
União Européia (EU). A diretriz WEEE começou a atuar nos
países que participavam da UE em agosto de 2005 e define o
descarte e programa nacional de coleta adequada desses
equipamentos pelos produtores.
Outro ponto importante é o uso de produtos químicos
prejudiciais na produção eletrônica. Eles devem ser
substituídos para impedir a exposição do trabalhador a essas
substâncias e evitar a contaminação das comunidades vizinhas.
A entidade espera que, com esse Guia, as empresas façam uma
avaliação sobre o desperdício eletrônico gerado por seus
produtos e tomem atitudes e assumam compromissos com as
práticas ambientais.
fonte:
www.setor3.com.br
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