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"O Brasil se equipara à África na questão do
gerenciamento do lixo hospitalar. A maior parte dos
resíduos sólidos, incluindo os de saúde vão para o lixão
sem receber nenhum tratamento. O lixão sequer deveria
existir, pois compromete o solo, afetando as regiões
próximas a ele, o pasto e, conseqüentemente, os animais
e o homem"
O Brasil gera mais de mil toneladas de lixo hospitalar
por dia, das quais apenas 290 toneladas diárias são
tratadas adequadamente - 210 toneladas/dia só na região
Sudeste (dados de 2005), segundo a Associação Brasileira
de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
O restante vai para o lixão, local inadequado para
depositar resíduos, utilizado por países em
desenvolvimento como Brasil, África e Índia. A
complexidade imposta pela legislação brasileira e a
falta de conhecimento da sociedade e do governo
dificultam a solução do problema que pode gerar danos ao
meio ambiente e ao homem com transmissão de doenças como
hepatite B, tuberculose e gripe aviária.
"O Brasil se equipara à África na questão do
gerenciamento do lixo hospitalar. A maior parte dos
resíduos sólidos, incluindo os de saúde vão para o lixão
sem receber nenhum tratamento. O lixão sequer deveria
existir, pois compromete o solo, afetando as regiões
próximas a ele, o pasto e, conseqüentemente, os animais
e o homem", desabafa o coordenador do Departamento de
Relações Institucionais e Assuntos Jurídicos da Abrelpe,
Carlos Silva Filho.
O especialista informa ainda que o líquido (cerume)
segregado pelo lixo sólido pode afetar os lençóis
freáticos, contaminando a água de uma região inteira.
"Muitos trabalhadores que lidam com o lixo não estão
preparados e podem contaminar-se, sem saber, com
seringas, restos de animais e todo material residual
colhido de clínicas veterinárias, hospitais,
universidades de saúde e laboratórios de análises." Tudo
isso poderia ser evitado, segundo Silva Filho, se as
determinações contidas na Resolução brasileira, que
dispõe sobre a separação e descarte dos resíduos
contaminados, não fossem tão complicadas.
Ao contrário do que a Organização Mundial de Saúde (OMS)
orienta - separar resíduo especial no momento de sua
geração em resíduos contaminados e não contaminados -,
no Brasil, a resolução (nº 306/2004) da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a de nº 358/2005 do
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) praticamente
tornam inviável o seu cumprimento pela grande maioria
das instituições de saúde. "Aqui, todos são obrigados a
seguir uma norma que divide o resíduo de saúde em cinco
grupos, subdivididos em outros subgrupos, complicando
tudo", explica Silva Filho. "Imagine um profissional de
saúde, no momento de uma cirurgia - em que está gerando
um resíduo de saúde -, ter de se preocupar em qual dos
cinco compartimentos, subdivididos em mais alguns, irá
colocar determinado resíduo. Parece inviável, uma vez
que o profissional tem que prestar atenção no que está
fazendo. Assim, o que deveria ser simples, barato e
viável fica impossível", declara Silva Filho.
fonte: www.gazeta.com.br
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