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Máfias atuam na reciclagem do lixo
Assim
como aconteceu no passado com algumas outras atividades - os
perueiros, por exemplo -, a falta de uma ação firme da
Prefeitura no setor de reciclagem do lixo está favorecendo o
surgimento de máfias que tomam conta do negócio, em detrimento
dos catadores de rua, que foram pioneiros nessa atividade,
como mostra reportagem publicada recentemente por O Estado de
S. Paulo.
De cada R$ 4,00 gerados na reciclagem de lixo, apenas R$ 1,00
fica com os catadores. Os outros R$ 3,00 vão para os
atravessadores e as indústrias. Como a maioria dos catadores
age isoladamente, não consegue atender às exigências das
indústrias - empacotar adequadamente a sucata (triturar,
prensar e enfardar) e apresentar nota fiscal. Só os que
integram as poucas cooperativas existentes podem fazer isso.
Os demais ficam nas mãos dos atravessadores e se limitam a
vender o resto dos restos. Segundo o Instituto Polis, existem
na Capital cerca de 20 mil catadores, dos quais só 3 mil são
organizados.
É uma concorrência desigual e que se torna ainda mais
desfavorável aos catadores à medida que a reciclagem se
transforma num negócio atraente para grupos mais poderosos. O
resultado é que os catadores e suas carroças estão sendo
expulsos da ruas. Vão tomando os seus lugares os chamados “morcegões”,
caminhões velhos, pertencentes a empresas irregulares, que
trabalham para grandes geradores de lixo e ficam com a parte
do leão da sucata reciclável - papéis, papelões, PETs e
latinha de alumínio. Para sobreviver nesse ambiente cada vez
mais dominado por máfias como a dos “morcegões”, os catadores
estão sendo obrigados a pagar pedágio para os atravessadores,
que recebem o lixo coletado - pelo qual pagam uma ninharia - e
o repassam para as indústrias recicladoras.
Os preços pagos pelos atravessadores por quilo de sucata dão
uma idéia da exploração dos catadores, que fazem a parte mais
difícil e penosa do trabalho: R$ 0,14 para o papelão de boa
qualidade, R$ 0,35 para o papel “branco”, R$ 0,22 para o papel
misto, R$ 0,10 para vidro ou jornal, R$ 0,24 para ferro, R$
0,15 para plástico mole (o dos copinhos) e R$ 0,50 para
garrafas PET.
Para acabar com as máfias, a Prefeitura precisa ter uma
presença maior nesse setor, principalmente na ajuda à
organização de cooperativas e na fiscalização.
Fonte: Jornal da Tarde - SP
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