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Pneu vira cerca
e dormente
Invento brasileiro transforma pneus usados em mourões de
cercas e dormentes de ferrovias
Um problema ambiental da maior relevância – o descarte de
pneus usados – pode estar com seus dias contados. E o que é
melhor, gerando renda para comunidades e poupando milhares de
árvores a cada ano.
O ex-empresário Reynaldo Teixeira do Amaral Júnior, hoje
silvicultor no município de Bragança Paulista, observava em
sua propriedade que os pneus de tratores e caminhões
tornavam-se um transtorno assim que retirados dos veículos.
Muito curioso – como se auto-define -, ele começou a
aproveitar as carcaças para fazer tubulações pelas quais se
escoavam as águas da chuva.
“Tem quase vinte anos que eu venho batalhando nisso”, diz
Reynaldo. Há seis, ele chegou enfim ao sucesso, patenteando
técnicas simples, capazes de transformar pneus inservíveis em
mourões de cercas, em dormentes de ferrovias e em cruzetas
para fios de alta tensão.
“Não existe no mundo coisa semelhante à que criei”, diz o
inventor, que se diverte com sua assumida falta de modéstia,
sobretudo agora, na expectativa de ter, até outubro, suas
patentes estendidas a todos os países da Organização Mundial
do Comércio - OMC.
O orgulho é justificável. O invento de Reynaldo foi levado por
ele à Universidade de Campinas há cerca de um ano.
“Professores da Faculdade de Engenharia Agrícola, Engenharia
Civil, Engenharia Mecânica e Centro de Tecnologia da Unicamp
opinaram sobre o projeto, confirmando sua característica
simples e inovadora”, atesta o gestor de Projetos Danuzio Gil
Bernardino da Silva.
A instituição foi solicitada a elaborar um estudo de
viabilidade para o produto Mourão de Pneus, bem como
desenvolver um equipamento para sua produção em escala
comercial.
O gestor Danuzio é um entusiasta da idéia. “É um produto que
não gera nenhum resíduo. Não necessita moagem, trituração,
queima, adição de compostos químicos, ou gastos significativos
de energia”, diz ele, classificando a solução como
“ecologicamente simples e tecnicamente eficiente”. Por essa
razão, o Ibama já deu seu aval à iniciativa do projeto.
Mais vantagens
Um segundo aspecto a se destacar é a substituição dos mourões
de madeira, que só traz vantagens ao consumidor. “O ponto de
incandescência de um mourão de pneu é muito superior ao de
madeira, demorando mais tempo a se inflamar em caso de
incêndio”, explica Danuzio, antecipando que a Unicamp busca
hoje alternativas para tornar o risco de "pegar fogo" do
mourão menor ainda.
“O que se corta de árvore para fazer cerca é de cair para
trás”, diz o inventor Reynaldo. “O Brasil usa dois bilhões de
mourões por ano”, contabiliza.
Igualmente estarrecedores são os números fornecidos por ele em
relação aos dormentes de ferrovias, que consumiriam 800 mil
árvores de madeira de lei a cada ano.
Afora poupar tais recursos, o projeto tem ainda o mérito de
atuar como potencial gerador de renda em meio a comunidades
carentes, já que o equipamento está sendo pensado com o menor
uso possível de componentes eletrônicos, tornando-o simples,
eficiente e barato.
“É um produto que tira o pneu inservível da natureza, tem uma
durabilidade fantástica em sua nova utilização, dá um uso
inteligente para um produto considerado lixo, diminui
consideravelmente a necessidade de uso de madeira para essa
finalidade, ou seja, age de forma transversal em vários
aspectos ecológicos ao mesmo tempo”, enumera o gestor de
Projetos Danuzio.
Parcerias importantes
Como seria previsível, a tecnologia já despertou o interesse
das empresas produtoras de pneus, sejam novos ou remoldados,
obrigadas a cumprir a Resolução do Conama nº 258/99, que
obriga os fabricantes e importadores de pneumáticos a coletar
e destruir, de forma ambientalmente adequada, os pneus
inservíveis existentes no território nacional, na proporção em
que cada um participa do mercado brasileiro.
O que se faz hoje nem de longe se enquadra como destruição “de
forma ambientalmente adequada”. O destino de milhares de pneus
recolhidos está, quase sempre, nas indústrias cimenteiras,
onde eles acabam incinerados. “Não é, nem nunca será, uma
destinação ecologicamente adequada, tendo em vista que não há
filtros que garantam níveis seguros de filtragem de poluentes
tóxicos e cancerígenos gerados na queima desses pneus”,
pondera Danuzio. “Inúmeros paises do mundo já criaram
legislações específicas contra a queima que, no final das
contas, atende a um interesse de poucos”, completa.
A Associação Nacional das Indústrias de Pneus – Anip – e a
BSColway, líder de mercado em remoldagem de pneus do Brasil,
já se manifestaram favoráveis à iniciativa da Unicamp e do
inventor Reynaldo do Amaral Júnior.
Com matéria-prima e mercado garantidos, a viabilidade
econômica dos produtos feitos de pneus inservíveis mostra-se
promissora. No momento, a Unicamp está prospectando
investidores. “Principalmente uma empresa da área de
metal/mecânica, metalúrgica ou de equipamentos de reciclagem
para desenvolver conosco o equipamento que vai permitir a
produção em escala e com um padrão de qualidade adequado ao
mercado”, informa Danuzio Gil.
fonte:
Ambiente Brasil - www.ambientebrasil.com.br
Setor
Reciclagem
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