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Alta de metais
eleva comércio sucata
A alta
mundial nos preços dos metais não ferrosos está aquecendo o
comércio exterior de sucata
O Brasil ampliou tanto as exportações quanto as importações de
rejeitos metálicos, principalmente pela redução da oferta
interna desses materiais, utilizados por fundições e
fabricantes de latas de alumínio, que decidiram reforçar seus
estoques. No caso do cobre, a elevação dos preços
internacionais, que acumula mais de 80% este ano, fez com que
o embarque dessa sucata ao exterior, entre janeiro e abril,
fosse dez vezes maiores que o registrado no mesmo período de
2005.
“O aumento do consumo de sucata de alumínio geralmente ocorre
no verão, influenciado pelas vendas de bebidas e cerveja”,
afirma Alex Hashimoto, trader da Oceans Metals Trade . Ele
explica que as empresas de fundição e as produtoras de latas
de alumínio reforçaram seus estoques durante o primeiro
trimestre. A importação foi resultado da baixa oferta de
sucata no mercado interno, diz ele. “O consumo só deverá
reaquecer-se em junho ou julho; no momento estamos dando mais
atenção à importação de outros produtos, como aparas de
plástico”. Em maio, segundo ele, a importação de aparas
metálicas começou a decair, pois as empresas já possuíam bons
estoques.
Hashimoto afirma que o preço da sucata acompanhou a alta dos
metais. “A cotação da sucata tem como base o preço do metal na
Bolsa de Londres, ficando geralmente por volta de 75% a 80% do
valor do próprio metal”. O trader diz que alguns fornecedores
no exterior ofereceram preços abaixo desses patamares, o que
tornou a importação vantajosa.
De acordo com números do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, nos quatro primeiros meses do
ano foram importadas 24,6 mil toneladas de sucata de alumínio,
70% a mais que no mesmo período de 2005. Em valor, as
importações atingiram US$ 41,1 milhões no período. O volume
foi importado principalmente por fundições, que utilizam os
rejeitos para produzir lingotes do metal. A origem da sucata
também mudou. Antes importada basicamente de países da América
Latina, as aparas metálicas no início deste ano foram trazidas
em grande parte de países do Oriente Médio. Só da Arábia
Saudita, o Brasil importou 4,8 mil toneladas do material, o
equivalente a US$ 7,9 milhões.
No cobre a situação é inversa. A valorização da sucata este
ano acompanhou a evolução dos preços do metal acabado, que
subiu mais de 80% desde janeiro. Com isso, o Brasil aumentou
em dez vezes o embarque de sucata de cobre para o exterior. De
janeiro a abril de 2005, foram 581 toneladas exportadas. No
mesmo período deste ano, o volume alcançou 5,7 mil toneladas.
Em valor, o crescimento foi ainda maior. Os exportadores e as
traders brasileiras de metais faturaram US$ 27,6 milhões no
primeiro quadrimestre, com o envio de rejeitos de cobre ao
exterior. No mesmo período do ano passado, o montante foi de
apenas US$ 660 mil.
A Açomete , que produz 500 toneladas de lingotes de metais não
ferrosos por mês, espera elevar a produção em 6% em 2006,
investindo no aumento de fornecedores. A escalada dos preços
de metais influenciou diretamente o faturamento da firma, nos
últimos três anos, mas não elevou as margens de lucro, segundo
o superintendente Rogério Galeazzi. Segundo ele, a “medida
provisória do bem”, que desobriga o comerciante de sucata a
recolher alguns tributos onera a ponta da cadeia de
reciclagem. “Antes, a empresa que coloca o produto já
reciclado no mercado recolhia na compra da sucata e na venda
do lingote, mas nesta fase podia descontar o valor da primeira
operação. Agora o imposto não é cobrado na compra, mas incide
sobre o valor da venda, que é mais alto.”
Para Galeazzi, o aumento da coleta residencial deve reduzir o
custo da sucata no mercado, uma vez que a indústria tem
materiais mais puros e já está habituada com o retorno
econômico dos resíduos. Ainda de acordo com o executivo, a
valorização excessiva poderá reduzir o uso dos materiais e,
por conseqüência, a geração de sucata nos próximos anos.
fonte: InfoMet - www.infomet.com.br
Setor
Reciclagem
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