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Lixo se
transforma em energia
Solução,
que já desperta o interesse de algumas prefeituras, usa 150
toneladas diárias de resíduos sólidos para produzir 2,6 MW
Está funcionando no Rio de Janeiro desde maio do ano passado,
a usina de tratamento térmico de resíduos sólidos com geração
de energia. O protótipo está transformando 30 toneladas
diárias de lixo em 440 kW de energia. Para chegar a este
estágio foram necessários seis anos de pesquisa e
desenvolvimento em equipamentos e técnicas até chegar a
criação do módulo, capaz de transformar 150 toneladas de lixo,
por dia, em 2,6 MW, que está disponível ao mercado.
A Usina Verde investiu R$ 19,5 milhões no projeto que começa a
chamar a atenção de prefeitos de todo o país. A Usina Verde é
uma empresa brasileira de capital privado, constituída em
2001, pelo grupo Arbi e quatro gestores privados.
A usina-protótipo instalada no campus da Ilha do Fundão, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, já recebeu a visita de
cerca de 40 representantes de municípios do país. Segundo Luiz
Carlos Malta, diretor da Usina Verde, a empresa desenvolve, no
momento, o projeto de instalação de quatro módulos em um
município do interior paulista. O executivo declinou em dar
detalhes do projeto a pedido da prefeitura local. A instalação
de um módulo leva dois anos a um custo de R$ 23 milhões,
ocupando área equivalente a de um campo de futebol.
Malta disse que o retorno do negócio se dá em seis ou sete
anos após o início da produção da energia. As prefeituras,
garantiu o executivo, podem recorrer as linhas de
financiamento de longo prazo para as áreas de saneamento e
energia elétrica do BNDES para garantir recursos para o
projeto.
Segundo o executivo, o módulo da Usina Verde sai pelo menos
50% mais barato que similares internacionais, já que não há o
pagamento de royalties ao exterior porque a tecnologia foi
toda desenvolvida no Brasil. As patentes estão em nome da
Usina Verde. "Trabalhamos junto a um fabricante nacional de
fornos para desenvolver a caldeira de recuperação de calor",
exemplificou.
A esperança da empresa agora é ver a usina contemplada em um
programa de incentivo às fontes alternativas como o Proinfa.
"Se houver uma segunda fase do programa vamos pleitear a
inclusão da usina para garantir a compra da energia", afirmou
Malta.
O executivo sinalizou que a usina precisaria de tratamento
especial porque a produção do combustível não é de propriedade
do empreendimento. "Não é como as usinas movidas a bagaço de
cana, na qual os usineiros são proprietários do resíduo e da
usina", observou.
O projeto da usina de lixo foi levado ao Ministério de Minas e
Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica, que
aprovaram o modelo. A intenção da Usina Verde é apresentar o
projeto ao Ministério das Cidades. "Eles elogiaram muito o
projeto e encorajaram a continuidade. Desejamos também que
eles entendam essa energia como diferenciada e não a condenem
a disputar leilão com as hidrelétricas", contou Malta.
O executivo disse que a comercialização da energia, que no
exterior é um subproduto de uma usina, aqui, no Brasil, será a
atividade-fim do empreendimento. Isso porque a capacidade
limitada das prefeituras de financiar a destinação final do
lixo torna a produção de energia o meio de obter retorno
financeiro. "Nos Estados Unidos, a tonelada de lixo vale US$
50, aqui, as prefeituras pagam no máximo R$ 25", comparou. A
comercialização dependerá de cada projeto.
A vantagem do módulo é a possibilidade de localizá-lo próximo
a áreas povoadas, pois os exaustores eliminam os odores
exalados pelo lixo e reduz significativamente a produção de
restos. O protótipo está instalado a 400 metros do hospital
universitário e a 300 metros do alojamento dos estudantes da
UFRJ. "Não há nenhum tipo de reclamação referente à
localização da usina", frisou.
De acordo com Malta, após a aplicação do processo de queima de
100 toneladas de lixo restarão 8 toneladas de material inerte,
que pode ser reutilizada como aditivo para pisos e outras
utilizações, dependendo da intenção do empreendedor. "A usina
substitui, completamente, as soluções de depósito de lixo
existentes de maneira mais eficientes. Ela elimina a produção
de chorume e de metano já que não há a deterioração dos
resíduos sólidos", contou.
Setor Reciclagem
fonte: Canal Energia - www.canalenergia.com.br |