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Educação ambiental e coleta seletiva
Educação
ambiental e coleta seletiva - Desafios para a humanidade
Por Ivan C. Guedes
Quando citamos o assunto em sala de aula, e os alunos
apresentam seus trabalhos, podemos perceber muito claramente
que o assunto passa somente como "mais um trabalho escolar".
Dificilmente conseguimos desenvolver um trabalho sério de
coleta seletiva, principalmente a partir da própria escola,
que, raramente adota o sistema, por "falta de espaço", ou até
mesmo por falta de interesse.
Para que um trabalho obtenha sucesso, a entidade (escola) deve
primeiro dar o exemplo à comunidade, ensinando na prática como
se faz a coleta e apresentando suas vantagens. Para elaboração
desta ação, não é necessária nenhuma proposta pedagógica
mirabolante, essa prática deve ser trabalhada no cotidiano,
como se fizesse parte da nossa cultura, para que, assim, os
alunos possam adquirí-la e implantá-la por livre iniciativa
nas suas residências mudando alguns hábitos e costumes.
Muito se fala em coleta seletiva, nas aulas, na igreja, na
televisão, nos seminários, nas palestras etc., porém, muito
casualmente podemos encontrar alguém que realmente faça em seu
ambiente a separação do lixo doméstico. Antes de tudo, vamos
fazer um preâmbulo do lixo gerado nas residências. Podemos
citar como lixo doméstico, desde a sujeira gerada pelos
animais domésticos, até o lixo da cozinha, das compras,
jornais, revistas, rascunho de papel, lixo do banheiro...
Quanto à separação, torna-se muito mais fácil iniciá-la pela
raiz, ou seja, já na entrada de casa. Faz-se necessária muita
paciência e controle, pois, ao separá-lo devemos administrá-lo
de forma que não se misture ao lixo não reciclável. Vamos
citar abaixo, uma pequena tabela para esclarecer basicamente o
que é e o que não é reciclável.
Recicláveis:
Vidro - Potes em geral e garrafas.
Papel - Jornal, revistas e folhas diversas.
Alumínio - Latas.
Plástico - Embalagens de óleo, sacolas e potes danificados.
Matéria orgânica - Guardanapos, restos de comida, folhas de
árvores e pontas de cigarro.
Não recicláveis:
Bandejas de isopor*, resíduos de limpeza (pó, esponja, palha
de aço) etiquetas, fitas adesivas, papel carbono, papel de
fax, fotografias, papéis sanitários e papéis metalizados.
* Apesar de não ser feito em grande escala, já existem estudos
técnicos que prevêem o reaproveitamento do isopor em
fumicultura pela Abrapex conforme artigo em www.setorreciclagem.com.br
“Reciclagem de Bandejas de Isopor - RS”.
Na cozinha, temos o costume de colocar sobre a pia um cesto
para lixo, pois bem, sem muito trabalho podemos colocar mais
uma ou duas, para que seja iniciado o processo de separação.
Em um cesto, podemos utilizá-lo para o material orgânico, no
segundo cesto, podemos utilizá-lo para plásticos, e o terceiro
para materiais não recicláveis. Além de um quarto cesto,
destinado às latas, se for o caso.
Caso não disponha de um espaço para os três cestos, um deles
(o para plástico) pode ser colocado na dispensa, assim, esse
pode ser o ponto de descarte para tudo que for de plástico na
residência como embalagens de revistas, embalagens de jornais,
potes de manteiga, sacos de supermercado, garrafas plásticas
etc.
Quanto ao óleo de cozinha, evite jogá-lo na descarga do
banheiro, pois, ao se misturar com a água, será muito difícil
o tratamento, além do que, com o tempo o seu encanamento
apresentará problemas. O ideal é coletar o óleo em uma garrafa
“pet” e descartá-la junto com o resto do lixo, ou encaminhar a
algum posto de coleta (mercado, escolas, igrejas, associações
etc.).
O papel gerado na residência (jornal, revistas, folhas) pode
ser acomodado em uma caixa de papelão a fim de ser encaminhado
à reciclagem. Feita a coleta seletiva, qual o caminho a ser
dado para o lixo? Por mais que façamos a coleta seletiva
residencial, não devemos descartá-lo como lixo comum, pois,
dificilmente esse lixo será realmente reciclado. As empresas
de coleta raramente têm equipamentos e funcionários para fazer
a “garimpagem” do lixo, por sua vez, todo o trabalho que você
teve, vai certamente parar no lixão ou em algum aterro
sanitário.
Para Miranda (1995) “das 12 mil toneladas de lixo que São
Paulo produz diariamente, 90% são depositadas em aterros”.
Obviamente, esse quadro apresentado em 1995 mostra um dado
ultrapassado. A questão ambiental tem tomado a pauta de muitas
Ong´s e empresa interessadas em reduzir os seus custos, ou
atender a uma legislação. Muito se tem feito com questão à
reciclagem do lixo, porém, ainda há muito por fazer. O destino
correto seria, então, encaminhar a um ponto de coleta (ferro
velho) ou, simplesmente destinar aos catadores ambulantes.
Os catadores de lixo, muitas vezes vasculham seu lixo e entram
em contato com tudo que há nele: fezes, resto de comida,
remédio... Fazendo essa seleção na sua casa, você, ao entregar
esse material ao catador, estará ajudando-o a melhorar sua
qualidade de vida, não estará fazendo sujeira na sua rua e não
estará enviando o lixo para os aterros.
Selecionando o lixo, seu volume diminuirá, pois só será
descartado o lixo orgânico e não o reciclável, se cada um
fizer a sua contribuição, todos agradecerão.
Catadora de lixo em Guarulhos-SP.
Pela falta da separação do lixo, as pessoas que dependem deste
recurso são obrigadas a vasculhar os lixos domiciliares como
forma de subsistência.
Ivan C. Guedes é Graduado em Geografia e Pós Graduado em
Gestão Ambiental
MIRANDA, Luciana Leite de O que é lixo. – São Paulo:
Brasiliense, 1995. – (Coleção Primeiros Passos; 299).
fonte:
www.setorreclicagem.com.br |