|
Projeto pioneiro recicla isopor - SC
Um
dos vilões do lixo por ocupar muito espaço nos aterros
sanitários, o EPS - também conhecido como isopor - vem sendo
reciclado graças a um projeto catarinense
Um acordo entre a Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) e a empresa joinvilense Termotécnica está reciclando
parte do material produzido no Estado, depois de mais de um
ano de pesquisas nos laboratórios do departamento de
engenharia química e de alimentos da universidade. "Estamos
fazendo desse lixo um novo produto", explica o professor
Ricardo Antônio Francisco Machado, coordenador do projeto.
Havia alguns anos, o isopor era considerado o vilão ambiental
por ter em sua composição o temível gás clorofluorcarbono (CFC),
maior agressor da camada de ozônio. Hoje, esse gás já foi
substituído por outro componente, o isômero de pentano, mas o
EPS continua sendo um dos responsáveis pelo entupimento dos
lixões e aterros sanitários. Outra dificuldade é o transporte:
um caminhão baú, por exemplo, só consegue transportar 190
quilos de EPS, tornando a reciclagem praticamente inviável. No
Brasil se produz 40 mil toneladas de EPS e grande parte vai
parar nos lixões.
O primeiro desafio dos pesquisadores era encontrar uma maneira
de reduzir o volume do isopor. A equipe desenvolveu um
equipamento para aglomerar o material, facilitando o
transporte e diminuindo os custos. A segunda parte do projeto
era saber o que fazer com o EPS. Como é um produto inerte
(sofre poucas alterações ao longo do tempo) e não pode ser
reutilizado para embalagens de alimentos, o desafio era
transformar o antigo isopor em um novo isopor. E isso foi
conseguido: hoje os pesquisadores mantêm uma fórmula de 20% do
isopor velho mais 80% de estireno, formando um novo EPS. A
descoberta de que a reciclagem do isopor não era tão difícil
foi fruto de um trabalho de 20 pesquisadores, entre químicos,
engenheiros e técnicos de laboratório. O projeto está sendo
benéfico para os dois lados: a universidade recebe
investimentos privados e abre mercado de estágio para seus
alunos, enquanto a empresa utiliza o know-how para se tornar a
primeira do Brasil a reciclar o EPS. "Ganha o meio ambiente,
ganha a universidade, ganha a empresa. Além disso, os alunos
têm a oportunidade de desenvolver tecnologia aplicada",
explica Machado.
Além da reciclagem como matéria-prima, o EPS já está se
tornando útil em outras áreas produtivas. Em Curitiba funciona
uma usina que utiliza o isopor na construção civil. O produto
substitui a pedra britada na fabricação de concreto leve
(mistura de cimento, areia, cola e isopor). O EPS também será
utilizado no processo de compostagem no solo em outro projeto
desenvolvido na capital paranaense. "É fundamental
conscientizar a população de que o isopor não é um produto
poluente e que existem soluções fáceis para seu
reaproveitamento", diz o diretor da Termotécnica e presidente
Associação Brasileira de Poliestireno Expandido (Abrapex),
Albano Schmidt.
fonte: A Notícia - www.an.com.br
fonte:
www.setorreclicagem.com.br |