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Ampliação de reciclados em automóveis
Os
carros que serão vendidos no País daqui a três ou quatro anos
poderão ser desmontados num prazo inferior a uma hora, e as
peças serão encaminhadas para reciclagem
A indústria automobilística desenvolve sistemas para facilitar
o desmanche e agilizar o processo de reaproveitamento das
peças ao fim da vida útil do automóvel.
Modelos brasileiros já têm, em média, 85% de material
reciclável, mas o País não dispõe de centros especializados no
desmonte e seleção das peças que serão reaproveitadas. Na
Europa, empresas de diferentes segmentos criaram redes para
recolher os carros velhos, separar as peças por categoria de
material e providenciar a reciclagem ou reaproveitamento.
Manuais
Ao adquirir um automóvel, o consumidor recebe, além do manual
do proprietário, um manual de desmontagem, que informa
técnicas a serem seguidas para melhor reaproveitamento de
peças e materiais. No Brasil, o processo está atrasado, mas as
montadoras já desenvolvem, para os futuros lançamentos,
conceitos de "reciclabilidade".
Uma das formas de facilitar o desmanche é usar materiais
compatíveis. "Trabalhamos num processo de comunização de
materiais ao invés de usar vinte diferentes tipos de
plásticos", exemplifica Lúcia Rama, coordenadora de Engenharia
de Materiais da Ford. Todas as peças plásticas nos automóveis
da Ford com peso acima de 100 gramas são identificadas para
que, no processo de desmanche, sejam separadas de acordo com o
componente químico usado na produção.
Parcerias
As empresas também buscam parcerias com os fornecedores de
componentes e matérias-primas para a criação das redes que
recolhem os carros. Futuramente, é possível que o Brasil adote
normas como as existentes na Europa, onde o último
proprietário do modelo que está saindo de circulação deve
entregá-lo aos centros coletores.
O processo das redes já está estruturado no Brasil apenas no
caso do material PET. A Ford adquire matéria-prima dessa fonte
para a fabricação dos carpetes de metade dos modelos da sua
linha atual. Em testes realizados inicialmente na Alemanha,
por falta de laboratórios específicos no Brasil, a Ford
conseguiu desmanchar um EcoSport no prazo de 1 hora e 18
minutos, processo que inclui a remoção de fluidos - que toma a
maior parte do tempo, 42 minutos -, dos pneus, vidros,
catalisadores e demais componentes. "Continuamos trabalhando
para agilizar esse tempo", diz Lúcia.
Resíduos
Na Europa, a Ford utiliza carcaças de computadores e telefones
celulares nos painéis e grades do Ka, Fiesta, Focus e Mondeo.
No Brasil, a empresa usa resíduos da indústria têxtil, como
sobras de fabricação de jeans, para isoladores acústicos ou
térmicos. A General Motors do Brasil estuda o uso de plástico
já reciclado para peças dos seus automóveis. Hoje, a empresa
adquire o plástico normal para injetar peças como painéis.
"Aguardamos a validação do plástico já reciclado para
utilizá-lo no futuro", diz Rita Heloisa Binda, gerente de
Engenharia de Materiais da empresa.
Este mês, a Ford começa a produzir o manual do proprietário
dos modelos EcoSport e Fiesta em papel reciclado, mais uma
iniciativa inédita do grupo. Oswaldo Jardim, responsável pelo
projeto, calcula que serão economizadas 16 toneladas de papel
por ano. Até o começo de 2006 a empresa espera estender a
estratégia para todos os modelos. Programas de reciclagem
estão mais adiantados no processo produtivo das fábricas. Dos
resíduos gerados pela GM em São Caetano do Sul, 80% são
reciclados, informa Vivian Cury, da área de Engenharia
Ambiental.
A Fiat reduziu em 47,5% a geração de resíduos por veículo na
fábrica de Betim (MG). Segundo a empresa, 90% dos resíduos vão
para reciclagem, são reaproveitados ou vendidos para outras
aplicações ambientalmente seguras. A Volkswagen desenvolveu um
projeto de reciclagem de borra de tinta. Só a fábrica de São
Bernardo do Campo recicla cerca de 600 toneladas por ano da
tinta que sobra da pintura dos carros.
fonte: Diário da manhã - www.dm.com.br
fonte:
www.setorreclicagem.com.br |