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Governo quer
proibir entrada de pneus usados
O
governo enviou ao Congresso um Projeto
de Lei que barra em definitivo a importação de pneus usados,
reformados e inservíveis como bem de consumo ou matéria-prima
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Importação de pneus usados para o Brasil
Também será proibido descartar pneus em aterros, no mar, rios,
lagos ou riachos, terrenos baldios ou alagadiços e a queima a
céu aberto. O texto foi elaborado pelos ministérios da
Justiça, da Saúde, do Meio Ambiente, da Indústria e Comércio
Exterior, das Relações Exteriores, da Fazenda e Casa Civil.
O envio do projeto de lei ao Congresso reforça a posição do
governo brasileiro, que é contrário à importação de bens
usados para consumo ou uso como matéria-prima. Esse direito é
previsto na Convenção de Basiléia, da qual o País é
signatário, e reforçado por resoluções do Conama - Conselho
Nacional do Meio Ambiente, pelo Decreto 3219/2001 e pela
Portaria 8/2000 da Secretaria de Comércio Exterior do
Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio
Exterior.
Com a aprovação do projeto, será criado o Sistema de Gestão
Ambientalmente Sustentável de Pneus, que prevê um programa de
coleta de carcaças usadas e inservíveis, o cadastro de todas
as empresas que trabalham com reuso e coleta de pneus e o
licenciamento e fiscalização dessas atividades. Pelo sistema,
fabricantes, importadores e reformadores de pneus serão
responsáveis pela coleta, transporte e destino final desses
resíduos. "Com uma ampla coleta de pneus usados no Brasil e
com inspeções veiculares será possível abastecer todas as
empresas de reforma sem a importação de resíduos de outros
países", explicou a gerente de Riscos Ambientais do MMA,
Grícia Grossi.
Apesar de proibida no País, a importação de pneus usados para
recauchutagem tem ocorrido com base em liminares concedidas
pela Justiça. O principal argumento de importadores é de que o
material se trata de matéria-prima e que não causaria impactos
ambientais.
Além da entrada de pneus usados estrangeiros, que pode chegar
a 11 milhões de unidades este ano, o Brasil tem o desafio de
eliminar cerca de cem milhões de pneus usados em seu
território. Aproximadamente 40 milhões de novas carcaças são
jogadas fora a cada ano. Resoluções do Conama que definem o
recolhimento e a destinação de pneus usados estão sendo
revisadas para reduzir a quantidade de pneus velhos no País.
A principal alegação da indústria de remoldados para a
importação de pneus usados de outros países seria a baixa
qualidade das carcaças nacionais. A qualidade das estradas, o
descarte inadequado e o baixo poder aquisitivo da população
seriam a causa da má qualidade dos pneus usados no Brasil. No
entanto, a posição do Inmetro - Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, ligado ao
Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio
Exterior, é de que o pneu usado nacional é viável para
remoldagem.
Os pneus são resíduos de difícil eliminação na natureza e seu
volume torna o transporte e o descarte em aterros
problemáticos. Apesar de não serem considerados perigosos, sua
queima libera substâncias tóxicas e cancerígenas, como
dioxinas e furanos. Quando jogados em rios e arroios e vias
públicas, obstruem a passagem da água, podendo causar
alagamentos e transtornos à população. Além disso, servem como
criatório para mosquitos transmissores de doenças tropicais.
"Ainda não existe uma tecnologia que garanta a destinação
ambiental adequada e segura para os pneus", lembrou Marília
Marreco, assessora especial do Ministério do Meio Ambiente.
As milhares de carcaças abandonadas no Brasil, que tem seu
sistema de transporte baseado nas rodovias e no amplo consumo
de pneus, são uma das principais causas da proliferação da
dengue. Como os ovos do mosquitos transmissor sobrevivem até
um ano sem água, a importação de pneus de outros países pode
trazer novas variedades do vírus transmissor da dengue ou de
outras doenças.
fonte: Ambiente Brasil - www.ambientebrasil.com.br
fonte:
www.setorreclicagem.com.br |