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Destinação
correta de lâmpadas
O uso de lâmpadas fluorescentes pode representar economia. Mas
os componentes químicos presentes em sua composição podem
causar prejuízos ambientais se não tiverem a destinação
correta
O grande vilão, nas lâmpadas, é o Mercúrio, um metal altamente
tóxico, que pode contaminar o solo, os animais e a água.
Isoladamente, o risco oferecido por uma lâmpada é quase nulo,
mas levando em consideração as 80 milhões de lâmpadas
comercializadas no Brasil, o problema se agrava. Quando
intacta, ela ainda não oferece perigo, sua contaminação se dá
quando ela é quebrada, liberando vapor de mercúrio.
Para evitar os riscos da contaminação, as lâmpadas queimadas
deveriam ter seu destino regulamentado, evitando prejuízos à
sociedade. O Conama, Conselho Nacional do Meio
Ambiente, possuía um Grupo de Trabalho específico, que atuava
para Disciplinar e Normatizar a Utilização, Manipulação e
Destinação Final de Resíduos Mercuriais. Mas, esse GT foi
paralizado em 2002 por ter sido encaminhada a definição da
destinação de lâmpadas mercuriais ao GT sobre Proposta da
Política Nacional de Resíduos Sólidos.
No dia 31 de maio deste ano, a Câmara Técnica de Saúde,
Saneamento Ambiental e Gestão de Resíduos, do Conama realizou
um Seminário para a apresentação de um anteprojeto da lei de
Política Nacional de Resíduos Sólidos, PNRS. Segundo Ruth
Tabaczenski, assessora técnica do Ministério do Meio Ambiente,
a proposta foi encaminhada para a ministra Mariana da Silva, e
aguarda o parecer da consultoria jurídica do MMA para ser
encaminhado para Casa Civil e, finalmente, para o Congresso
Nacional.
O anteprojeto estabelece as diretrizes para a gestão, manejo e
gerenciamento dos resíduos sólidos no país, ditando, também, a
responsabilidade do gerador quanto aos riscos de danos
ambientais e instituindo a logística reversa. Assim, o
gerador, torna-se responsável pelo recolhimento dos resíduos e
sua correta destinação, sob pena de responder civil e
criminalmente. Ele também deve adotar tecnologias de modo a
absorver ou reaproveitar os resíduos, minimizando o impacto
ambiental. As embalagens devem conter as instruções
necessárias para que o consumidor deposite ou retorne o
produto para os locais indicados. Caberia aos revendedores e
comerciantes, quando necessário, receber e acondicionar os
resíduos temporariamente, de forma ambientalmente segura.
Alguns estados, com o Rio Grande do Sul, se adiantaram à
criação da Lei Federal e regulamentam a utilização e destino
de resíduos sólidos potencialmente perigosos, como o caso das
lâmpadas fluorescentes. (Veja abaixo uma lista com a
legislação relaciona) Independente da lei, algumas empresas
também destinam suas lâmpadas para o reaproveitamento e
reciclagem. Em Curitiba, uma máquina portátil, a Bulbox,
composta por um tambor com capacidade de 200 litros, com um
sistema interno de aspiração e filtragem, recicla lâmpadas
fluorescentes. Elas são trituradas e os componentes são
armazenados para posterior reutilização. O transporte do
material é feito na própria máquina, o que apresenta vantagens
sobre as demais técnicas de reciclagem, explica Neide Thiesen
Barros, da Ambiensys Gestão Ambiental.
Contaminação
O professor Arion Zandoná Filho, doutor em processos
biotecnológicos, pela Universidade de Helsinque, explica que
cada lâmpada possui uma concentração média 10 mg de mercúrio,
variando de acordo com o tamanho e o modelo. Fazendo a
proporção entre o número de lâmpadas comercializadas e a
quantidade de mercúrio existente em cada uma, chega-se ao
valor de 800 milhões de mg de mercúrio lançados na atmosfera
anualmente, somente no Brasil.
Se inalado, o vapor de mercúrio pode causar bronquite aguda e
cefaléia, podendo até a causar danos mais sérios como
insuficiência renal e edema pulmonar, explica o professor.
Mas, ele afirma que somente as pessoas expostas diretamente
aos vapores do mercúrio correm esses riscos, citando o valor
estimulado como limite de tolerância pela legislação
brasileira, de 33 microgramas de mercúrio por grama de
creatinina urinária.
Em 1955, um acidente ecológico ocorrido em Minamata, no Japão,
atingiu milhares de pessoas, que ingeriram peixes contaminados
com mercúrio. Elas desenvolveram doenças neurológicas graves e
suas seqüelas atingiram várias gerações, apresentando danos
irreversíveis.
fonte: Ambiente Brasil - http://www.ambientebrasil.com.br
fonte:
www.setorreclicagem.com.br |