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Pneus recolhidos em mutirão no Paraná são trocados por alimentos
Leia a resolução do Conama para pneus inservíveis

Um jogo onde todos saem vencedores. Assim pode ser classificada a operação que recolhe pneus até então contaminando o meio-ambiente, e os transforma em combustível nos fornos de produção de clínquer, o componente básico do cimento. Esse processo começou em 99, com a edição da Resolução 258 pelo Conama, que estabeleceu uma quantidade de pneus inservíveis a que importadores e fabricantes de pneus novos deveriam dar destinação final, com critérios ambientalmente corretos.

Em números crescentes a cada ano, ficou estabelecida, a partir de janeiro de 2005, a proporção de cinco pneus inservíveis para cada quatro pneus novos fabricados no país ou importados. E, para cada três pneus reformados importados, de qualquer tipo, as empresas importadoras devem dar destinação final a quatro pneus inservíveis (veja o texto completo da resolução no final desta matéria).

Os benefícios do respeito à legislação vigente não se restringem à óbvia diminuição da poluição ambiental acarretada por pneus despejados a céu aberto, em rios, córregos, manguezais, e aos queimados sem qualquer procedimento que controle a emissão de carbono. Ao destinar os pneus recolhidos aos fornos de clínquer, nas fábricas de cimento, não só elas têm a vantagem de obter matéria-prima para a combustão necessária a seu processo produtivo, como essa trajetória tem a garantia de se efetivar em consonância com as normas impostas também pela Resolução 258. Entre elas, estão a obrigatoriedade de Equipamento de Controle de Poluição – ECP -, visando controlar as emissões atmosféricas resultantes das operações industriais; e o  Estudo de Viabilidade de Queima – EQV -, classificado na legislação como “estudo teórico que visa avaliar a compatibilidade do resíduo a ser co-processado com as características operacionais do processo e os impactos ambientais decorrentes desta prática”.

O cumprimento da Resolução 258 gerou um tipo de negócio singular: o fornecimento de certificados de destruição de pneus inservíveis, através do qual fabricantes e importadores obtém créditos para a regularização de seus estoques perante o Ibama – o órgão fiscalizador. Entram nos serviços prestados, também, a coleta de carcaças de pneus inservíveis e o subsequente  envio para destruição de forma ambientalmente correta.

A prática mostra que outras vantagens podem ser auferidas. Édson Fabrício Luvizotto, gerente administrativo de uma empresa que atua nessa área, está prestes a fazer o recolhimento de 1,2 tonelada de pneus. O montante é fruto de um mutirão realizado no município paranaense de Campo Largo, especificamente no bairro Jardim Melyane. Lá, uma unidade do Programa de Assistência Integrada à Família – PAIF -, do Governo Federal, criou o Projeto Reciclando, que estimula a comunidade atendida a recolher lixo reciclável. Em dezembro passado, numa iniciativa semelhante, foram recolhidas quatro toneladas.

“Em nossa atuação, constatamos que cidadãos desta comunidade desconheciam os prejuízos que o acúmulo de lixo acarreta ao meio ambiente e à saúde pública”, diz Jorge Luiz Nascimento, assistente social do PAIF em Campo Largo.

As pessoas que participam do trabalho não ganham apenas uma melhor consciência ambiental e um bairro mais limpo e saudável. São recompensadas com o apoio do Provopar – Programa de Voluntariado do Paraná -, entidade civil que age em parceria com o Governo do Estado. A coleta de cada um é pesada e se pode escolher artigos de valor correspondente, entre alimentos e produtos de limpeza, a serem apanhados uma semana depois. “Isso dá a dignidade deles morarem em um ambiente limpo e de escolherem aquilo que desejam levar para casa”, diz Jorge Luiz Latas, plásticos e papel são entregues a uma entidade do próprio município – o Centro de Integração ao Menor -, que presta atendimento a cerca de 200 crianças. O CIME seleciona e separa o material e fica com os recursos angariados pela venda deste a interessados na reciclagem.

RESOLUÇÃO Nº 258, de 26 de agosto de 1999
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990 e suas alterações, tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, e Considerando que os pneumáticos inservíveis abandonados ou dispostos inadequadamente constituem passivo ambiental, que resulta em sério risco ao meio ambiente e à saúde pública;

Considerando que não há possibilidade de reaproveitamento desses pneumáticos inservíveis para uso veicular e nem para processos de reforma, tais como recapagem, recauchutagem e remoldagem;

Considerando que uma parte dos pneumáticos novos, depois de usados, pode ser utilizada como matéria prima em processos de reciclagem;

Considerando a necessidade de dar destinação final, de forma ambientalmente adequada e segura, aos pneumáticos inservíveis, resolve:
Art.1o As empresas fabricantes e as importadoras de pneumáticos ficam obrigadas a coletar e dar destinação final, ambientalmente adequada, aos pneus inservíveis existentes no território nacional, na proporção definida nesta Resolução relativamente às quantidades fabricadas e/ou importadas.

Parágrafo único. As empresas que realizam processos de reforma ou de destinação final ambientalmente adequada de pneumáticos ficam dispensadas de atender ao disposto neste artigo, exclusivamente no que se refere a utilização dos quantitativos de pneumáticos coletados no território nacional.

Art. 2o Para os fins do disposto nesta Resolução, considera-se:
I - pneu ou pneumático: todo artefato inflável, constituído basicamente por borracha e materiais de reforço utilizados para rodagem em veículos;

II - pneu ou pneumático novo: aquele que nunca foi utilizado para rodagem sob qualquer forma, enquadrando-se, para efeito de importação, no código 4011 da Tarifa Externa Comum-TEC;

III - pneu ou pneumático reformado: todo pneumático que foi submetido a algum tipo de processo industrial com o fim específico de aumentar sua vida útil de rodagem em meios de transporte, tais como recapagem, recauchutagem ou remoldagem, enquadrando-se, para efeitos de importação, no código 4012.10 da Tarifa Externa Comum-TEC;

IV - pneu ou pneumático inservível: aquele que não mais se presta a processo de reforma que permita condição de rodagem adicional.

Art. 3o Os prazos e quantidades para coleta e destinação final, de forma ambientalmente adequada, dos pneumáticos inservíveis de que trata esta Resolução, são os seguintes:
I - a partir de 1o de janeiro de 2002: para cada quatro pneus novos fabricados no País ou pneus importados, inclusive aqueles que acompanham os veículos importados, as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final a um pneu inservível;

II - a partir de 1o de janeiro de 2003: para cada dois pneus novos fabricados no País ou pneus importados, inclusive aqueles que acompanham os veículos importados, as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final a um pneu inservível;

III - a partir de 1o de janeiro de 2004:
a) para cada um pneu novo fabricado no País ou pneu novo importado, inclusive aqueles que acompanham os veículos importados, as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final a um pneu inservível;
b) para cada quatro pneus reformados importados, de qualquer tipo, as empresas importadoras deverão dar destinação final a cinco pneus inservíveis;

IV - a partir de 1o de janeiro de 2005:
a) para cada quatro pneus novos fabricados no País ou pneus novos importados, inclusive aqueles que acompanham os veículos importados, as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final a cinco pneus inservíveis;

b) para cada três pneus reformados importados, de qualquer tipo, as empresas importadoras deverão dar destinação final a quatro pneus inservíveis.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos pneumáticos exportados ou aos que equipam veículos exportados pelo País.

Art. 4o No quinto ano de vigência desta Resolução, o CONAMA, após avaliação a ser procedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, reavaliará as normas e procedimentos estabelecidos nesta Resolução.

Art. 5o O IBAMA poderá adotar, para efeito de fiscalização e controle, a equivalência em peso dos pneumáticos inservíveis.

Art. 6o As empresas importadoras deverão, a partir de 1o de janeiro de 2002, comprovar junto ao IBAMA, previamente aos embarques no exterior, a destinação final, de forma ambientalmente adequada, das quantidades de pneus inservíveis estabelecidas no art. 3o desta Resolução, correspondentes às quantidades a serem importadas, para efeitos de liberação de importação junto ao Departamento de Operações de Comércio Exterior-DECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Art. 7o As empresas fabricantes de pneumáticos deverão, a partir de 1o de janeiro de 2002, comprovar junto ao IBAMA, anualmente, a destinação final, de forma ambientalmente adequada, das quantidades de pneus inservíveis estabelecidas no art. 3o desta Resolução, correspondentes às quantidades fabricadas.

Art. 8o Os fabricantes e os importadores de pneumáticos poderão efetuar a destinação final, de forma ambientalmente adequada, dos pneus inservíveis de sua responsabilidade, em instalações próprias ou mediante contratação de serviços especializados de terceiros. Parágrafo único. As instalações para o processamento de pneus inservíveis e a destinação final deverão atender ao disposto na legislação ambiental em vigor, inclusive no que se refere ao licenciamento ambiental.

Art. 9o A partir da data de publicação desta Resolução fica proibida a destinação final inadequada de pneumáticos inservíveis, tais como a disposição em aterros sanitários, mar, rios, lagos ou riachos, terrenos baldios ou alagadiços, e queima a céu aberto.

Art. 10. Os fabricantes e os importadores poderão criar centrais de recepção de pneus inservíveis, a serem localizadas e instaladas de acordo com as normas ambientais e demais normas vigentes, para armazenamento temporário e posterior destinação final ambientalmente segura e adequada.

Art. 11. Os distribuidores, os revendedores e os consumidores finais de pneus, em articulação com os fabricantes, importadores e Poder Público, deverão colaborar na adoção de procedimentos, visando implementar a coleta dos pneus inservíveis existentes no País.

Art. 12. O não cumprimento do disposto nesta Resolução implicará as sanções estabelecidas na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, regulamentada pelo Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999.

Art. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

fonte: Ambiente Brasil - www.ambientebrasil.com.br
f
onte: www.setorreciclagem.com.br

 

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