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Óleo
lubrificante usado - Mercado para rerrefino
O óleo usado, apesar de
ser um resíduo, é comprado pelos rerrefinadores, desestimulando o seu
despejo nas redes de esgotos. No Brasil, os óleos são geralmente
trocados em garagens e postos de gasolina, e posteriormente coletados
por empresas rerrefinadoras cadastradas no Departamento Nacional de
Combustíveis (DNC), conforme exigência da Portaria 727/90.
O País já contou com cerca de 50 pequenas usinas de rerrefino de óleo
usado. Até 1987, sobre o preço do óleo básico incidiam impostos que
chegaram a somar US$ 1.000/m3 de óleo básico, que subsidiavam a coleta
dos óleos usados. Desde 1987, além da queda do imposto único, os
custos ambientais vêm aumentando e quase todas as rerrefinadoras de
pequeno porte e com problemas ambientais fecharam. Há hoje cerca de 10
empresas de rerrefino em operação, reunidas no Sindirrefino (Sindicato
Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais). Cerca de 300
caminhões de empresas cadastradas no DNC realizam a coleta,
principalmente nas regiões Sul e Sudeste, em postos de serviços,
oficinas e garagens de grandes frotas.
Nos países desenvolvidos, a venda de lubrificantes em supermercados e a
troca de óleo a domicílio são muito difundidas, exigindo-se que sejam
criados programas de coleta de óleos usados voltados para o consumidor.
A Europa coleta 40% do seu óleo usado e os EUA recolhem 60%
principalmente para a queima.
Estima-se que, em todo o mundo consome-se anualmente 42 milhões de
toneladas do óleo e gera-se 22 milhões de toneladas de óleo usado (o
restante é queimado nos motores), dos quais apenas 1 milhão de
toneladas são rerrefinadas (4,5%).
Quanto é reciclado?
16%
de todo o óleo básico consumido no Brasil é rerrefinado. O Brasil
consome anualmente cerca de 900.000 metros cúbicos (m3) de óleo
lubrificante e gera 250 à 300.000 m3 de óleo usado, rerrefinando em
torno de 110.000 m3 de óleo usado. O restante é geralmente queimado ou
despejado na natureza. Na Europa o índice de rerrefino é de 32%.
A Resolução CONAMA 09/93 obriga a divulgação de informações sobre
a reciclabilidade do óleo nos rótulos das embalagens e nos pontos de
coleta.
Apesar do conteúdo reciclado presente em diversos tipos de óleos
formulados, não há hoje nenhuma marca que explore esse atributo
ambiental em sua publicidade, conforme ocorre em diversos países.
Conhecendo o material
O óleo lubrificante
representa cerca de 2% dos derivados do petróleo, e é um dos poucos
que não são totalmente consumidos durante o seu uso. O uso automotivo
representa 70% do consumo nacional, principalmente em motores a diesel.
Também são usados na indústria em sistemas hidráulicos, motores
estacionários, turbinas e ferramentas de corte. É composto de óleos básicos
(hidrocarbonetos saturados e aromáticos) que são produzidos a partir
de petróleos especiais e aditivados de forma a conferir as propriedades
necessárias para seu uso como lubrificantes.
Durante o seu uso na
lubrificação dos equipamentos, a degradação termoxidativa do óleo e
o acúmulo de contaminantes torna necessária a sua troca. Além disso,
parte do óleo é queimado no próprio motor, devendo ser reposto. No
processo de troca do lubrificante, este é drenado para um tanque de acúmulo,
para posterior reaproveitamento.
Embora proibida no
Brasil, a queima indiscriminada (sem desmetalizar) é a forma mais
comum de destino dos óleos usados efetivamente coletados, mas os óleos
podem ainda ser reciclados (filtrados para retorno para o mesmo uso) ou
rerrefinados, gerando óleos básicos para novas formulações.
Valor
No primeiro semestre de 1998, o valor pago pelo óleo usado era, em média,
R$ 0,2 a 0,3 centavos por litro . É importante ressaltar o fato de que,
até 28/8/97, o óleo básico era taxado em cerca de 100%, o que vinha
cobrindo os lubrificantes, este imposto foi extinto, aguardando-se uma
nova portaria do DNC que defina responsabilidades quanto ao custeio da
coleta. Até 31/12/97, as formuladoras se comprometeram a pagar o valor
médio do primeiro semestre para evitar que seja interrompida a coleta,
o que traria graves conseqüências ambientais.
Sua história
A indústria brasileira do
rerrefino de óleos minerais teve seu início por volta de 1948, quando
se instalaram as primeiras rerrefinadoras, duas no Rio Grande do Sul e
uma em São Paulo. Até na década de 70 instalaram-se outras indústrias
sem grandes perspectivas, dado o baixo custo dos derivados de petróleo.
A partir do primeiro choque do petróleo, o setor organizou-se no
Sindirrefino.
E
as limitações ?
CONTAMINAÇÃO
Os contaminantes
pesados dos óleos usados são provenientes do desgaste do motor
(limalhas), aditivos e borras que se formam devido às altas
temperaturas de trabalho, em condições oxidantes; os contaminantes
leves são combustíveis não queimados nos motores ou solventes que são
coletados no mesmo tambor que os óleos usados. A retirada desses
contaminantes pelo processo clássico gera grandes quantidades de borra
ácida; já os processos mais modernos utilizam evaporadores especiais e
geram resíduos que podem ser usados como impermeabilizantes,
revestimentos plásticos e asfálticos.
É
importante saber...
REDUÇÃO
DA FONTE DE GERAÇÃO
Em períodos
economicamente recessivos é comum haver uma redução na geração de
óleos usados, devido à resistência do consumidor em realizar a troca,
limitando-se a completar o nível do cárter.
COMPOSTAGEM
O material não
se presta à compostagem. Sua decomposição é lenta, apresentando uma
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 2 a 4 kg de oxigênio por
quilo de óleo usado.
INCINERAÇÃO
O poder
calorífico do óleo usado é de 10.000 Kcal/kg (34.000 BTU/I), mas a
queima deve ser precedida de uma etapa de desmetalização para
atendimento dos padrões legais de emissões atmosféricas.
ATERRO
O óleo usado, quando não
é rerrefinado ou reciclado, deverá ser acondicionado em tambores para
disposição em aterros industriais próprios para resíduos tóxicos.
Qual o seu
peso no lixo?
Embora o óleo
lubrificante represente uma porcentagem ínfima do lixo, o seu impacto
ambiental é muito grande, representando o equivalente da carga
poluidora de 40.000 habitantes por tonelada de óleo despejada em corpos
d’água. Apenas um litro de óleo é capaz de esgotar o oxigênio de 1
milhão de litros de água, formando, em poucos dias, uma fina camada
sobre uma superfície de 1.000 m2, o que bloqueia a passagem de ar e
luz, impedindo a respiração e a fotossíntese. O óleo usado também
contém metais e compostos altamente tóxicos, e por esse motivo, é
classificado como resíduo perigoso (classe I), segundo a norma 10.004
da ABNT.
 
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